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  • Foto do escritorRodolfo Brenner

#84 - David Parker Ray, o Toy Box Killer | SERIAL KILLER

Novo México, final dos anos 90: uma jovem corre pela estrada tentando chamar a atenção de alguns motoristas, mas todos eles fogem ao perceber que ela está coberta de sangue. A polícia é chamada e ela conta sobre os dias em que ficou presa, sendo torturada das piores maneiras possíveis. Quando eles chegam ao seu cativeiro, descobrem que ali era a casa de um dos assassinos em série mais sádicos da História.


Essa é a versão escrita do episódio #84 - David Parker Ray, o Toy Box Killer.



David Parker Ray nasceu no dia 06/11/1939 em Belen, Novo México. Ele era filho do Cecil Leland Ray e da Nettie Opal Parker, um mecânico e uma dona de casa. Além dele, o casal teve uma filha mais nova chamada Peggie. Por conta de problemas financeiros e do alcoolismo do pai, David e sua irmã foram morar com os seus avós maternos, Russell e Dolly Parker, em uma pequena fazenda. O avô, Russell, era muito rigoroso e colocava as duas crianças para trabalhar na fazenda por horas a fio no sol do Novo México. Ele também era um fundamentalista cristão que acreditava que o único jeito de punir alguém era através de castigos físicos, ou seja, David e a irmã apanhavam por qualquer coisa que eles fizessem de errado.

David frequentou a Mountainair High School, em Mountainair, Novo México. Além de ter muita dificuldade para estudar, ele sofria muito bullying por conta do seu jeito tímido e retraído. Nessa época, para fugir da realidade, David começou a beber e a usar drogas. De vez em quando o Cecil aparecia para visitar os filhos e levar alguns presentes para eles. Quando ele achou que o David era grande o suficiente, deu a ele uma coleção de revistas pornográficas de BDSM, e foi aí que ele teve o primeiro contato com o tema do sadomasoquismo. Na adolescência, ele passou a ter fantasias sexuais envolvendo estupro e tortura. Para satisfazê-las, ele desenhava mulheres amarradas e mutiladas. Nessa época, a sua irmã encontrou os seus desenhos e as suas revistas, e ela ficou tão enojada com aquilo que parou de conversar com ele.

Em 1957, a avó de David morreu e ele foi morar com a mãe em Albuquerque, a capital do estado, onde ele começou a trabalhar como mecânico. Em 1959, ele se casou e foi morar com a esposa, mas logo ele precisou se ausentar, pois foi chamado para servir ao exército durante o início da Guerra do Vietnã. Enquanto ele estava fora, ela deu à luz a um menino. David voltou para os EUA depois de 1 ano e em 1961 ele se divorciou. Em 1962 ele se casou novamente, mas o relacionamento durou apenas 3 meses. Nessa época ele começou a trabalhar como mecânico em uma companhia de caminhões e lá ele conheceu uma mulher chamada Glenda Burdine e eles se casaram em 1966. Um ano depois, os dois tiveram uma filha chamada Glenda Jean Ray, que era chamada pelo apelido de Jesse.


Única foto conhecida de Jessie, já adulta

Poucos meses após o nascimento da filha, David, então com 30 anos, decidiu abandonar a família e se aventurar pelo Novo México junto com alguns hippies que ele encontrava pelo caminho. Vale lembrar que nos anos 60 acontecia o auge do movimento hippie, que pregava uma vida de paz, desapego e amor livre, questionando os costumes cristãos-conservadores da época. Enquanto estava pedindo carona, ele conheceu uma jovem hippie chamada Sally, e os dois começaram um relacionamento. Nessa de ir pedindo carona, eles chegaram até uma parada de caminhões que era comandado por um homem e sua namorada, que acolheram os dois.

Algumas semanas depois, Sally descobriu que estava grávida e contou a notícia para a namorada do dono. Segundo ela, a jovem estava bastante feliz, diferente do David, que parecia claramente aborrecido ao descobrir que seria pai novamente. Poucos dias após Sally descobrir a gravidez, o dono da parada e a sua namorada sentiram falta da garota, que já não era vista a alguns dias. Quando eles perguntaram ao David onde ela estava, ele disse que ela era um “espírito livre” e tinha decidido partir para outro local. Nunca ficou comprovado quem realmente era Sally e o que aconteceu com ela, mas muitos especulam que ela teria sido a primeira vítima do David.

Após o desaparecimento da Sally, David decidiu voltar para casa, e a esposa o recebeu de braços abertos. Em 1969, a família se mudou para Tulsa, no estado de Oklahoma, onde David passou a trabalhar como mecânico de aviões. Nessa época, David estava completamente viciado em pornografia sadomasoquista e se masturbava constantemente pensando em mulheres sendo mortas de formas terríveis. Nos anos 70, a família se mudou para o Texas onde David e a esposa mantiveram um posto de gasolina. Os negócios acabaram não dando certo, e em 1977, eles decidiram voltar para Albuquerque. David começou a trabalhar como mecânico de trens, passando a maior parte do tempo viajando pela região consertando trilhos. Por conta da sua constante ausência em casa, sua esposa decidiu pedir o divórcio em 1981.

Meses depois, David se mudou para Phoenix, capital do Arizona, e conheceu um novo amor, uma mulher chamada Joni-Lee. Nessa época, sua filha Jesse passava sempre as férias com o pai, e os dois eram bem próximos.- Entretanto, a admiração que Jesse tinha pelo David começou a ficar abalada quando ela presenciou algo, no mínimo, estranho: uma mulher correndo para fora de sua casa completamente nua. Quando ela perguntou ao pai o que tinha acontecido, ele contou, sem nenhum pudor, que aquela mulher era uma prostituta contratada por ele para BDSM, mas que ela não tinha “aguentado” a situação.


Elephant Butte, Novo México


David se divorciou novamente e decidiu mudar mais uma vez: ele comprou um terreno em Elephant Butte, no Novo México, uma cidade com pouco mais de 1000 habitantes. Nessa pequena comunidade, David tinha uma vida aparentemente normal, trabalhando como mecânico, recebendo visitas da filha, andando de barco e pescando no lago que ficava próximo da sua casa. Quem conhecia ele dizia que ele era uma pessoa gentil, prestativa e que gostava muito de animais.

No início dos anos 80, David comprou um trailer e gastou mais de 100 mil dólares para reformá-lo: além dos cômodos normais como um quarto e um banheiro, ele acoplou um segundo trailer, que serviria como um quarto de tortura: no meio do cômodo, ele instalou uma uma mesa ginecológica e modificou os braços para que, quem fosse colocado ali, não pudesse se soltar. Ele também comprou diversos brinquedos sexuais e de BDSM como cordas e chicotes, além dispositivos de tortura que incluiam ganchos, perfuradores e fios elétricos. Também haviam paredes a prova de som e alarmes de segurança, tudo para que suas vítimas não fugissem.


Interior do trailer de David Parker Ray


David frequentava bares nas cidades próximas de Elephant Butte na procura de mulheres em situações de fragilidade, como garotas de programa e jovens que tinham fugido de casa. Ele abordava, pagava alguns drinks e convidava elas para conhecer o seu trailer. Elas então eram agredidas, sedadas e vendadas, levadas para o trailer e amarradas. Quando elas acordavam, David tocava uma fita gravada com mais de 40 minutos com instruções do que aconteceria dali para frente.

Essas mulheres eram mantidas lá por períodos que variavam de um dia até 3 meses, até o momento que David cansava delas. Elas então eram drogadas com uma mistura de remédios, entre eles, barbitúricos. Os barbitúricos são uma classe de medicamentos usados para diversos fins, desde enxaqueca e insônia até epilepsia, ansiedade e síndrome do pânico. Entretanto, se forem usados em excesso, eles causam diminuição da coordenação, hipotermia, amnésia e apagões. O objetivo do David com isso era fazer as suas vítimas esquecerem o que tinham passado dentro do seu trailer. Segundo entrevistas posteriores, depois de drogadas, elas eram deixadas desacordadas na beira da estrada.


Vídeo com a descrição da fita usada por David


Em junho de 1986, Jesse foi até um escritório do FBI em Albuquerque para fazer uma denúncia: segundo ela, seu pai estaria sequestrando e torturando mulheres dentro do seu trailer. Após um tempo, ele levava as vítimas para a fronteira do México e as vendia como escravas sexuais. Os agentes do FBI acharam que o relato da Jesse era fantasioso demais para ser verdade, então chamaram o próprio David para conversar: ele disse que realmente era interessado em BDSM, mas nada além disso. Ele foi liberado e o testemunho da Jesse foi descartado. Jesse entendeu que, se as autoridades não achavam aquilo errado, então o comportamento do seu pai era completamente normal, e de testemunha ela passou a ser a assistente dele nas sessões de tortura. Nunca ficou completamente explicado como essa relação dos dois realmente funcionava, mas acredita-se que ela também era abusava, tanto que, em 1990, ela deu à luz a um bebê, mas nunca contou quem era o pai.

Pai e filha passaram por algumas cidades do Novo México, entre elas, a pequena Truth or Consequences. Foi nessa época que David conheceu uma mulher chamada Cindy Hendy, que recém tinha chegado na cidade. Cindy dizia para as pessoas do local que tinha se mudado em busca de emprego, mas na verdade ela era uma criminosa procurada por diversos crimes, desde furto até venda de drogas. Depois de se conhecerem, Cindy demonstrou interesse em BDSM, o que chamou a atenção do David. Os dois começaram um relacionamento, que também nunca foi bem explicado: segundo algumas fontes, Cindy se relacionaria apenas com David, em outras, eles formariam um “trisal”. Juntos eles organizavam festas privadas regadas a muita bebida e sexo sadomasoquista.

Nessa época também é dito que David começou um relacionamento pela primeira vez com outro homem. Com a chegada de Cindy, Jesse foi tendo cada vez menos participação nas sessões de tortura.- Em 1999, já fazia quase duas décadas que David Parker Ray agia no Novo México, sem nenhum tipo de desconfiança das autoridades. Entretanto, o seu reinado de tortura e sadomasoquismo estava prestes a acabar, pois uma nova sequestrada conseguiria fugir e revelar tudo o que acontecia naquele trailer.


Cindy Hendy


Cynthia Vigil tinha nascido e crescido em Albuquerque, sendo cuidada pela sua avó. Quando ela tinha 11 anos, ela sofreu abuso sexual de um parente. Ela tentou contar o que tinha acontecido para algumas pessoas, mas ninguém acreditou nela. Com medo de acontecer novamente, ela saiu de casa e foi morar com a mãe, uma mulher chamada Elizabeth. Sua mãe era carinhosa e tentava ao máximo cuidar da filha, mas ela tinha dois pontos fracos: a bebida e os homens. Ela sempre ia até festas em bares pela cidade, e acabava levando a Cynthia junto, pois ela não tinha com quem ficar. Em 1992, quando a Cynthia tinha 15 anos e já estava ficando sozinha em casa, sua mãe não voltou de uma das festas. No outro dia ela foi encontrada morta em uma vala. Segundo o que a Cynthia relata no seu próprio site, a polícia mal investigou o caso alegando que tinha sido uma overdose.

Sem família, sem dinheiro e sem ter onde ficar, Cynthia começou a se prostituir e a usar drogas. Ela foi presa algumas vezes e levada para centros de detenção juvenil. Ela também começou um relacionamento com um homem muito violento e agressivo, que batia nela constantemente. Em uma dessas agressões, ele chegou a deformar o seu crânio. Ela só conseguiu fugir desse homem quando ele foi preso por ter assassinado outra mulher. Em 1998, Cynthia estava com 20 anos e vivia em motéis de beira de estrada com o pouco que ela ganhava com a prostituição. A única pessoa que ela tinha um contato verdadeiro era a sua melhor amiga, Reymunda Baca, mas infelizmente, ela foi assassinada pelo namorado, e a Cynthia novamente se viu sozinha.

Em março de 1999, Cynthia foi chamada pelo seu cafetão para atender um homem que teria pago US$ 30 pelos seus serviços. Depois que ela entrou no carro, ele mostrou um distintivo falso e disse que ela estava presa, já que a prostituição é ilegal em quase todo o território americano. Cynthia percebeu que aquele homem não era policial e tentou fugir, mas ela foi surpreendida por uma mulher. Ela tentou escapar, mas foi amarrada, amordaçada e ameaçada com uma arma. Obviamente esse casal era o David e a Cindy, e eles tinham sequestrado a Cynthia para ser a sua nova escrava sexual.


Cynthia Vigil


Depois de 3 dias de tortura, Cynthia viu quando David saiu para trabalhar. Nesse momento ela começou a pensar em uma forma de escapar dali, e prestou atenção em cada objeto que tinha ali dentro. Ela ouviu quando a Cindy atendeu um telefonema e saiu de casa, deixando ela sozinha dentro do trailer. Para a sua sorte, as chaves dos cadeados que estavam prendendo ela estavam em uma mesa de centro bem próxima. Ela conseguiu usar as pernas para alcançar as chaves e abrir um dos cadeados, quando Cindy voltou viu sua tentativa de fuga.

As duas começaram uma luta corporal e a Cindy bateu várias vezes na cabeça da Cynthia com um abajur. Mesmo não estando totalmente solta, Cynthia não desistiu de lutar pela sua vida: ela tentou usar o telefone do trailer para ligar para o 911, mas a Cindy conseguiu cortar a ligação antes dela ser completada. Então, sem pensar duas vezes, Cynthia pegou o primeiro objeto que viu, um picador de gelo, e começou a desferir golpes com ele na Cindy, que caiu no chão. Cynthia terminou de se soltar e saiu correndo do local para o mais longe possível.

Cansada, machucada e coberta com o sangue da Cindy, a Cynthia tentou chamar a atenção de alguns motoristas, mas eles fugiam dela, assustados com o seu estado. Ela continuou correndo até encontrar um trailer e bater na porta. Os donos da casa acolheram ela e ligaram para a emergência.- Enquanto era levada para o hospital, ela contou para os policiais tudo o que ela tinha passado, desde o sequestro, a tortura, a luta e a fuga. Enquanto isso, outros policiais já estavam nos arredores procurando pelos seus sequestradores.


Interior do trailer onde Cynthia foi mantida refém


Lembram da ligação interrompida para o 911? Antes mesmo da Cynthia ser encontrada, a polícia de Elephant Butte já estava dirigindo ao local, pois o despachante informou que aquela tinha sido a primeira de várias ligações feitas para a polícia em um curto período de tempo. As outras tinham sido de motoristas informando sobre uma mulher coberta de sangue correndo pela estrada, e em uma cidade tão pequena quanto Elephant Butte, eles acreditavam que todas estivessem conectadas.

Chegando no endereço onde ficava o trailer do David, eles bateram na porta, mas ninguém atendeu. Acreditando que alguém pudesse estar ferido lá dentro, eles decidiram arrombar a porta e entrar. Realmente o trailer estava vazio, porém, era mais do que claro que algo tinha acontecido ali, uma vez que havia vidro quebrado, objetos espalhados e sangue por todo o lado. Quando eles adentraram o imóvel e viram o que realmente tinha lá dentro, eles chamaram os seus superiores.

Enquanto isso, David e Cindy tentavam fugir da cidade, mas foram presos no meio do caminho. Ele foi levado diretamente para delegacia, enquanto ela precisou ser levada para o hospital, uma vez que tinha cortes profundos na região da cabeça. A polícia acreditava que David não era apenas um sádico sexual, mas que existia uma possibilidade muito grande dele ter matado algumas das vítimas e se livrado dos seus corpos. Por conta disso, o FBI foi chamado: segundo os registros, havia tanto material para ser periciado dentro do trailer que mais de 100 agentes participaram das operações.

Dentre as coisas que foram encontradas dentro do trailer, havia fitas de vídeo que mostravam as sessões de tortura. Segundo o livro “Cries in the Desert: The Shocking True Story of a Sadistic Torturer”, os agentes do FBI precisaram assistir e catalogar aquilo durante dias, e o que eles viram foi tão brutal que uma agente chamada Patrícia Rust, responsável por catalogar e detalhar a cena do crime, cometeu suicidio cinco dias depois.


Itens de tortura encontrados dentro do trailer


Após a apuração dos fatos, a polícia prendeu Jesse e um homem chamado Dennis Yancy, amigo pessoal de David e que tinha participado de algumas das sessões de tortura. Até aquele momento, David e Cindy negavam ter cometido qualquer crime, dizendo que tudo que aconteceu no trailer foi consentido. A polícia tentou fazer um acordo com a Jesse, mas ela se negou a depor contra o próprio pai. Entretanto, quem aceitou o acordo foi a Cindy, que parou de negar os crimes e disse ter sido persuadida a participar das fantasias sexuais sádicas do seu namorado. Entretanto, apesar das torturas, ainda não havia nenhuma prova de que David e a sua gangue tinham matado alguma daquelas mulheres.

O FBI acreditava que os corpos poderiam estar no lago que ficava próximo ao trailer, mas nada foi encontrado. Eles tentaram seguir aquela pista que a Jesse tinha dado ainda na década de 80, sobre a venda das vítimas através da fronteira, mas também não deu em nada. Os investigadores resolveram então focar no amigo, Dennis Yancy. Para a surpresa de todos, ele foi o único que confessou um assassinato: segundo o seu relato, em 1997, Dennis convenceu a sua namorada na época, Marie Parker, a visitar o trailer do David. Após ela ser torturada e violentada, David teria obrigado Dennis a enforcá-la e se livrar do corpo.

Parecia que finalmente a polícia tinha algo para enquadrar os acusados por assassinato, já que a Marie Parker realmente estava desaparecida desde aquela época. Dennis levou a polícia até o lugar em que David teria mandado ele descartar o corpo, mas não havia nada lá. Sem o corpo, a denúncia não foi para frente e nunca ficou comprovado que Marie realmente morreu nas mãos do grupo.


Dennis Yancy


Quando o caso estourou, duas vítimas das torturas de David apareceram: a primeira delas foi Angelica Montano, em 1997. Ela contou que Cindy convidou ela para ir até o trailer, quando foi sequestrada pelo David e passou dias sendo torturada até ser liberada em uma estrada. Ela conseguiu pegar carona com um homem que estava passando, e que por acaso era um policial de folga. Entretanto, ele não acreditou no que ela contou. Ela também denunciou para o 911, mas o seu caso não foi investigado.

Através das fitas encontradas no trailer, o FBI conseguiu identificar outra mulher: Kelli Garrett, que tinha sido sequestrada em 1996. Ela foi encontrada no Colorado e deu seu depoimento: Kelli estava jogando sinuca com os amigos quando conheceu a Jesse. Ela convidou Kelli para tomar uma cerveja em outro bar, e essa foi a última coisa que ela se lembrou antes de acordar no trailer do David. Ela foi torturada por dois dias até ser levada de volta para casa pelo próprio David. Kelli contou o que aconteceu para o marido, que também não acreditou nela. Após os novos depoimentos, David aceitou assumir a culpa do sequestro e da tortura da Cynthia e da Kelli em troca da liberdade da filha, Jesse. Angélica infelizmente faleceu antes do julgamento e o seu caso não foi levado a diante.


Kelli Garrett

O primeiro julgamento foi em 1999: Dennis Yancy foi acusado de sequestro, conspiração e adulteração de provas, tendo sido condenado a 30 anos de prisão. Em 2010, ele recebeu liberdade condicional após ter cumprido 11 anos, mas o benefício precisou ser adiado até 2011 porque Dennis não tinha uma residência fixa. Ele saiu da prisão, mas voltou em três meses por ter violado a condicional. Ele ficou preso até 2021.

Em 2000, foi a vez do julgamento da Cindy Hendy: pelos crimes de sequestro abuso sexual, ela recebeu uma pena inicial de 36 anos. Em 2019, ela foi liberada da prisão após 19 anos. Em 2022, foi descoberto que ela estava vivendo na cidade de Hamilton, em Montana, o que gerou diversos protestos dos moradores nas redes sociais. Ao ser questionado, o xerife do condado disse que Cindy não poderia ser proibida de viver em Montana segundo as leis estaduais, mas que ela estava registrada como agressora sexual.

Por conta do acordo que seu pai fez, Jesse conseguiu deixar a prisão em 2001, depois de cumprir apenas 2 anos e 6 meses. Não existem registros sobre o seu paradeiro. Por fim, em 2002, David Parker Ray foi condenado a 224 anos de prisão por sequestro e abuso sexual. Porém, em 28 de maio de 2002, enquanto ele estava sendo levado para interrogatório, ele sofreu uma parada cardíaca e faleceu.


Reportagem sobre Cindy Hendy


Como foi falado anteriormente, apesar das gravações e dos testemunhos do Dennis e da Cindy sobre possíveis vítimas, a polícia nunca conseguiu encontrar provas físicas ligando David Parker Ray a algum assassinato. Apesar disso, existem pelo menos 60 casos em que ele é considerado suspeito, vamos listar alguns agora.

A primeira possível vítima é o empresário Billy Bowers, que era ninguém menos do que o chefe do David quando ele trabalhava como mecânico na Canal Motors, em Phoenix. Billy desapareceu no dia 25 de setembro de 1988, em circunstâncias misteriosas. Um ano depois, um pescador encontrou um corpo envolto em uma lona dentro de um lago em Elephant Butte. A perícia conseguiu identificar que ele teria morrido por conta de um tiro na testa, mas como não havia nenhuma identificação com ele, ele foi enterrado sem identificação.

Após a prisão de David e Cindy, ela relatou sobre constantes desavenças entre os dois, e que suspeitava que o namorado teria matado o chefe e se livrado do corpo dentro do lago. A polícia então exumou os restos do homem encontrado no lago 10 anos antes e, através dos registros dentários, confirmou que realmente se tratava do Billy Bowers. Apesar da confirmação, David negou participação no crime e nunca foi acusado oficialmente.


Sepultura de Billy Bowers


Uma segunda possível vítima é a Jill Troia, de 22 anos: ela foi vista pela última vez em um restaurante em Albuquerque, em 1995. Seus amigos relataram que viram ela saindo do bar acompanhada de uma mulher, que posteriormente foi reconhecida como sendo a Jesse, filha do David. Quando foi interrogada sobre o desaparecimento na época, ela disse que tinha se despedido da Jill ainda no restaurante e voltado para Elephant Butte com seu pai.

A terceira possível vítima é uma mulher chamada Connie, cujo sobrenome nunca foi descoberto. Enquanto os objetos encontrados no trailer estavam sendo catalogados, foi descoberto uma carta de duas páginas datada de junho de 1990, escrita por um homem chamado Mark, que aparentemente era seu namorado e que morava na Austrália. Segundo anotações que David fazia sobre suas vítimas, Connie teria sido sequestrada em dezembro de 1995: ela teria 18 anos, seria loira e com aproximadamente 1,60 m. O FBI pediu ajuda para a polícia da Austrália na tentativa de encontrar o Mark, mas nem ele, nem a Connie foram localizados.


Notícia do desaparecimento de Jill Troia


Por fim, a última possível vítima é a Jennifer Pentilla, que tinha 18 anos quando desapareceu em outubro de 1991. Jennifer morava em Missoula, no estado de Montana, mas estava fazendo uma viagem missionária de bicicleta com destino a Califórnia. Entretanto, ela acabou mudando de planos algumas vezes: primeiramente ela decidiu iria até o México para trabalhar com uma atividade voluntária da igreja luterana com a população carente, e para isso ela foi seguindo caminho pela fronteira sul dos Estados Unidos até chegar em Las Cruces, que ficava a menos de 1 hora de carro de Elephant Butte, a cidade em que ficava o trailer do David Parker Ray.

Enquanto estava na cidade, Jennifer telefonou para a mãe avisando que tinha sido desencorajada por alguns locais a ir ao México, uma vez que ela estava viajando sozinha e de bicicleta. Ela então decidiu visitar uma amiga em Minnesota, e sua mãe disse que pagaria uma viagem de ônibus até lá. Jennifer disse que retornaria a ligação ainda naquele dia, mas essa foi a última vez que alguém teve contato com ela. Um ano depois, dois viajantes que estavam passando por uma área de deserto em Hatch, perto de Elephant Butte, encontraram uma barraca de acampamento, mochila, um capacete de bicicleta, a carteira e a habilitação de Jennifer Pentilla, além de uma agenda e anotações sobre a sua viagem. Entretanto, sua bicicleta não estava no local.

Em 2023, a jornalista Crystal Gutierrez, que tem um canal no youtube focado em crimes não resolvidos no estado do Novo México, lançou um episódio de duas partes sobre o desaparecimento da Jennifer. Uma das teorias levantadas é de que, pela localização geográfica, Jennifer poderia ter sido sequestrada por David Parker Ray, que atuava na região. Em 2011, o FBI liberou mais de 400 fotos de objetos encontrados em posse de David para ajudar na localização de possíveis vítimas. Ao analisar cuidadosamente as fotos, Crystal, juntamente com a mãe de Jennifer, encontraram uma pulseira que é muito similar a uma que ela estaria usando durante a viagem.

Entretanto, por conta de ser um item genérico e não terem certeza quanto às cores estarem corretas, ela não pode confirmar ou descartar que era da sua filha. Apesar da possibilidade dela ter sido uma vítima do David Parker Ray, os detetives da época tinham um outro suspeito muito mais provável, um homem que teria atendido Jennifer em um posto de gasolina quando ela parou para usar um orelhão no local. O caso continua aberto e o corpo da Jennifer nunca foi encontrado.


Cartaz de desaparecido de Jennifer Pentilla


• FONTES: this is MONSTERS, Criminologia, Life Issues Institute, Crime Library, KPAX, Crystal Gutierrez TV, CBS News, The Charley Project, Real Stories, NightDocs, Unfiltered Stories.

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