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  • Foto do escritorRodolfo Brenner

#83 - O Desaparecimento de Logan Schiendelman | DESAPARECIDOS

Um jovem de 19 anos desaparece de forma misteriosa após dizer para sua avó que teve uma epifania. A investigação encontra poucas pistas concretas, mas descobre uma teia de segredos envolvendo tensões raciais, drogas e segredos familiares..


Essa é a versão escrita do episódio #83 - O Desaparecimento de Logan Schiendelman.



Logan Drew Schiendelman nasceu em 27/06/1996 em Olympia, estado de Washington. Os pais do Logan passaram somente uma noite juntos e a mãe, Hannah, engravidou. O nome do pai nunca foi revelado, só o que se sabe é que ele era da Arábia Saudita e que deixou os Estados Unidos antes mesmo do seu nascimento. Antes de Logan, Hannah já tinha uma filha chamada Chloe, que era de outro pai. Após o nascimento, sua mãe decidiu se mudar para Seattle para estudar em uma escola de artes, deixando ele e a sua meia irmã aos cuidados da avó, chamada Ginny, que morava em Tumwater, também em Washington. Tumwater é um subúrbio de Olympia e tem pouco mais de 25 mil habitantes segundo o censo de 2020. Posteriormente, Hannah se mudou para Olympia e visitava os filhos sempre que podia.

Não temos muitas informações sobre a infância e adolescência do Logan, apenas sobre a sua personalidade: segundo familiares e amigos, ele era muito carismático, engraçado e se dava bem com todo mundo. Mesmo sendo extrovertido, Logan tinha dificuldade em expressar os seus sentimentos, e ele fazia isso através de poemas. Ele frequentou a Tumwater High School, tendo sido um aluno modelo: além de ótimas notas ele também jogava no time de futebol americano.

Após o ensino médio, ele se matriculou na Washington State University, que ficava a mais de 480 km de distância de Tumwater. Diferente do que acontecia no ensino médio, Logan estava longe de ser um aluno modelo na faculdade: ele faltava muito, tirava notas baixas, ia em todas as festas que podia e também começou a fumar maconha. Após um ano, ele deixou a faculdade e voltou para casa da sua avó. O que ele não sabia era que o namorado da Chloe, Jake, foi morar lá com os seus dois filhos. Jake tinha histórico criminal e inclusive foi acusado de agressão a uma ex-namorada em 2013. Segundo um tio do Logan chamado Mike, Logan não gostava do Jake e os dois se hostilizavam com certa frequência.


Tumwater, Washington


Conforme Logan crescia, Ginny notou que ele passou a ter uma certa crise de identidade quanto às suas questões raciais: a avó era branca, mas sua mãe era parte afro-americana e seu pai era árabe, fazendo dele, da irmã e da mãe os únicos não-brancos da família. É de conhecimento que essas questões nos Estados Unidos são bem diferentes do que no Brasil: enquanto aqui a maior parte da população se identifica como pardos, ou seja, interraciais, lá esse tipo de casamento ainda é incomum. Na região onde Logan morava, 88,41% da população era branca, 1,39% era negra e 3,21% era de múltiplas raças.

Além disso, Logan não tinha contato com a família do avô paterno, que era negra, e existem duas versões para isso: segundo Ginny, a família do avô paterno nunca teve interesse em se aproximar dele após o nascimento. Já segundo uma tia avó paterna chamada Tina, foi a Ginny que cercava o Logan para que ele não tivesse contato, tanto que ela só conheceu o sobrinho neto quando ele tinha 18 anos. Posteriormente esse encontro acabou acontecendo.

Apesar do estado de Washington ser conhecido por ser um local progressista e longe de tensões raciais, Logan passou a se sentir um pouco deslocado por só conviver com pessoas brancas. Sua avó conta que, em uma ocasião, ele estava em uma festa com seus amigos quando uma pessoa começou a proferir algumas coisas racistas em tom de “brincadeira”. Posteriormente ele contou para a avó que ele ficou muito magoado com a situação, não somente pelo que aconteceu, mas também porque nenhum dos seus amigos fez algo para ajudá-lo. Após isso, Logan começou a ficar mais em casa e a passar cada vez menos tempo com seus amigos. Ele também deixou de responder eles nas redes sociais.


Ginny e Tina em entrevista para o canal True Crime Daily


No dia 19/05/2016, Ginny estava na cozinha se preparando para trabalhar quando ouviu Logan chegando em casa. Ela perguntou onde ele estava, e ele disse que estava dirigindo para esfriar a cabeça. Segundo ela, ele não parecia bem e aparentava estar nervoso. Ele comentou que teve uma epifania, e ela prometeu que conversaria com ele mais tarde sobre isso. Quando Ginny chegou em casa do trabalho, Logan não estava em casa. As horas foram passando e ele não voltou, então ela decidiu usar um aplicativo que mostrava onde o celular dele estava, e viu que ele estava perto de Olympia. Acreditando que ele tinha ido visitar a sua mãe, Ginny ficou menos preocupada. Na manhã seguinte, ela foi até o quarto de Logan para falar com ele, mas ele não tinha chegado. Como era incomum que ele passasse a noite fora de casa, ela decidiu ligar para Hannah para saber se ele ainda estava com ela, e para sua surpresa, ela disse que ele não tinha ido lá na noite anterior. Ginny passou o resto do dia ligando para conhecidos e familiares, mas ninguém sabia onde Logan estava.

No sábado, 21/05, Ginny foi até o escritório da polícia do condado para fazer um boletim de desaparecimento, mas quando chegou lá, não havia ninguém para atende-la. Segundo informações da polícia, era comum que não houvesse policiais no escritório no fim de semana, porque o número de oficiais era pequeno e eles davam prioridade para fazer o patrulhamento. Ginny então passou o resto do fim de semana tentando encontrar o neto, mas sem sucesso. Foi só no dia 23/05 em que ela finalmente conseguiu informar o desaparecimento. Talvez você esteja se perguntando: por que ela não ligou para o 911 ainda no dia 19/05? Posteriormente, Ginny disse que Logan era muito responsável e que realmente não pensou que algo poderia ter acontecido com ele. Quando desapareceu, Logan tinha 19 anos, 1,83m de altura e estava usando uma camiseta branca, calça jeans, casaco preto e um tênis da Nike.


Logan Schiendelman


O primeiro passo da polícia foi procurar informações sobre o carro de Logan, já que ele tinha saído com ele naquele dia. Ao procurar no banco de dados do estado, a polícia descobriu que, no dia 20, a Patrulha Estadual de Washington tinha encontrado o carro dele abandonado na Interestadual I-5, próximo da comunidade de Maytown, que ficava a 15 km de Tumwater. O carro foi liberado e a própria família do Logan fez uma busca nele. Dentro foram encontrados a carteira do Logan com dinheiro, cartões e documentos, além do seu celular e de algumas compras feitas em uma loja na região. Entretanto, como a família moveu o veículo de lugar, ele não pode ser periciado.

Os investigadores procuraram ligações para o 911 que reportavam o carro do Logan e descobriram algumas testemunhas em potencial: no dia 20, uma mulher que estava dirigindo na interestadual relatou ter visto o carro do Logan estacionado no acostamento, e que ele estaria acompanhado de dois homens caucasianos. Ela descreveu um dos homens como sendo magro, com cerca de 1,83 m de altura, cabelo loiro e usando roupas apertadas. Já o outro homem também seria loiro, mas estava usando uma camisa de flanela e uma calça jeans. No mesmo dia, 3 pessoas ligaram para o 911 e relataram que havia um carro com as descrições do veículo do Logan andando de forma imprudente: ele teria atravessado três pistas e batido na barreira de concreto do canteiro.

Um motorista de caminhão que presenciou o incidente disse ter visto um homem branco e ruivo saindo do lado do passageiro e correndo em direção a floresta que ficava do lado da rodovia. Além disso, na noite do dia 20, uma pessoa reportou ter visto um adolescente afro-americano nu correndo pela área. Como essas eram as únicas pistas até o momento, o detetive, Frank Frawley, responsável pela investigação, resolveu iniciar uma busca com cães farejadores, mas não encontraram nada. Também foi feita uma varredura com um helicóptero equipado com uma câmera térmica, mas também não ajudou.


O carro de Logan


Dias depois, a polícia fez uma busca no quarto do Logan e levou o seu notebook para a perícia. Eles procuraram nos históricos de conversa alguma coisa que indicasse o seu paradeiro, mas havia pouquíssima coisa já que Logan não conversava mais com os seus amigos. Chamou a atenção dos investigadores que, segundo a avó, Ginny, na época que desapareceu, Logan estava fumando maconha quase todos os dias. Além disso, ele passou a apresentar um comportamento paranoico dizendo que via pessoas olhando pela janela do seu quarto e mantendo a porta fechada. A polícia entendeu isso como um possível envolvimento do jovem com o tráfico local e realizou algumas buscas, mas não encontrou nada. Hannah, a mãe de Logan, contou que, pouco antes do seu desaparecimento, eles tiveram uma longa conversa sobre o pai dele. Foi levantado a possibilidade dele ter saído do país e ido atrás dele, mas essa teoria logo foi esquecida uma vez que todos os seus documentos tinham ficado no carro.

Em outubro de 2016, a polícia acabou prendendo Jake, namorado da meia-irmã do Logan, por um crime não relacionado. O investigador do caso do Logan propôs um acordo para que ele fizesse um teste de polígrafo, e ele aceitou. Foi perguntado se ele tinha algo a ver com o desaparecimento, e ele disse que não. Jake passou no teste sem maiores problemas, o que fez ele ser descartado como suspeito.


Poster de desaparecido de Logan


A próxima pista só veio em junho de 2017, quando uma mulher viu o caso do Logan na TV e ligou para a polícia. Ela disse que viu o carro do Logan parado na rodovia no dia 20/05 enquanto dirigia para o trabalho, e que não havia ninguém dentro. Na volta, quando ela passou pelo carro novamente, ela viu que o capô estava levantado e que havia 3 homens parados. A descrição que ela deu foi quase a mesma de uma das testemunhas: dois eram brancos e magros e um era negro e alto, que ela acreditava ser o Logan. A polícia divulgou o retrato falado de um desses homens, mas ninguém entrou em contato sobre ele, e essa foi a última pista oficialmente recebida do caso.


Retrato falado de um dos suspeitos que teriam sido vistos pelas testemunhas


A família Schiendelman divulgou o caso massivamente nas redes sociais, lançando uma página e um grupo no Facebook, além de um perfil no instagram. Eles também oferecem uma recompensa de US$ 15.000 por informações sobre o Logan e divulgaram em 2023 uma progressão de idade. Se estiver vivo, Logan Schiendelman estará com 27 anos.


Poster de desaparecido de Logan


• FONTES: NBC News, Oxygen, Disappeared, The Charley Project, Krystal Skye, Hide and Seek, True Crime Daily.

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