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  • Foto do escritorRodolfo Brenner

#46 - O Decapitador de Houston | SERIAL KILLER

Em apenas 2 meses, a cidade de Houston foi abalada por 5 assassinatos chocantes, deixando a população com medo e a polícia de mãos atadas, sem saber se todos os casos estavam ou não conectados. Esse é o podcast Clube dos Detetives, eu sou o Rodolfo, e hoje nós vamos falar sobre o Decapitador de Houston, agora fiquem com os nossos recados e a gente já volta.


Essa é a versão escrita do episódio #46 - O Decapitador de Houston:



O caso aconteceu em Houston, Texas, a quarta maior cidade dos Estados Unidos. Nos anos 70, a cidade estava passando por um grande aumento populacional, principalmente devido ao crescimento da indústria. A população passou de 1 milhão de habitantes, o que ocasionou também um aumento da violência. Foi nesse cenário que, em julho de 1979, uma mulher chamada Alys Rankin acabou sendo assassinada. Alys foi descrita como muito simpática e educada, tinha 33 anos e trabalhava como secretária em uma empresa de engenharia.

Naquele dia Alys teve um problema com seu carro e precisou leva-lo para a manutenção. Ela então pediu carona para o trabalho para um colega chamado Bob Smith, que se prontificou a levar os dois até o local. Alys morava em um complexo de apartamentos que ficava no sudoeste da cidade. Na manhã do dia 27 de julho, ele foi até o lado de fora no horário combinado onde e ficou esperando. Quando ela não apareceu, ele decidiu ir até o seu apartamento para ver o que tinha acontecido com ela, e, para sua surpresa, encontrou a porta parcialmente aberta. Ele decidiu entrar no apartamento, e viu que tinham manchas de sangue pelo chão. Ele seguiu as manchas até o quarto de Alys, e quando abriu a porta, se deparou com uma cena perturbadora: ela estava nua, com fios de eletricidade em volta dos pulsos e coberta com as roupas de cama. Quando Bob tirou o lençol e o travesseiro de cima dela, viu que seu corpo estava com diversas marcas de facada, e o pior: ela estava sem a cabeça.


Alys Elaine Rankin


Bob saiu correndo e bateu na porta de um vizinho, de onde ele ligou para o serviço de emergência. A polícia chegou poucos minutos depois, e a cena era tão violenta que foi considerada uma das piores da história da cidade. Os investigadores descobriram, próximo ao corpo, uma lâmina de barbear e uma faca de açougueiro, ambas com sangue. Essa faca, inclusive, tinha sido pega do próprio apartamento. Também notaram que a trilha de sangue que o Bob seguiu saía do apartamento e ia até uma vaga do estacionamento, o que fez os detetives concluírem que o assassino saiu com a cabeça de Alys nas mãos, entrou no carro e foi embora.

Não havia nenhum sinal de entrada forçada, o que poderia indicar duas coisas: ou ela conhecia o assassino, ou ele fingiu que era um prestador de serviço, como um zelador. Por medo, a síndica do complexo mandou trocar todas as fechaduras dos apartamentos. Foi realizada uma autópsia no corpo de Alys, e para a surpresa de todos, a causa da morte tinha sido asfixia, e não os ferimentos de faca. Também foi comprovado que ela tinha sido agredida sexualmente, e que não havia marcas de defesa, ou seja, provavelmente ela foi pega completamente desprevenida.

Orchard Apartment


O caso foi tão chocante que muitas pessoas, principalmente mulheres, estavam completamente apavoradas com a ideia de ficarem sozinhas em seus apartamentos. Uma dessas mulheres era Mary Michael Calcutta, de 26 anos, que morava no mesmo complexo de apartamento que Alys. Mary estava tão assustada com a morte de sua vizinha que ela passou uma semana dormindo na casa de amigos, se recusando a voltar para casa. Quando ela voltou, ela disse que ia colocar uma estante de livros contra a porta e não abriria para ninguém que ela não conhecesse.

Duas semanas depois do assassinato de Alys, um amigo de Mary foi visita-la mais ou menos às 16h30, ele bateu na porta, mas não obteve resposta. Ele então percebeu que a porta estava aberta e decidiu entrar, e então encontrou o corpo dela dentro da banheira do apartamento. O corpo de Mary tinha inúmeras facadas, e novamente, a faca era do próprio apartamento. Diferente de Alys, Mary não foi pega de surpresa, inclusive havia sinais claros de que ela lutou muito contra o seu agressor, mas acabou perdendo. A causa da morte oficial foram as facadas, e o ataque foi tão brutal que a faca quase quebrou. Além disso, ela também foi agredida sexualmente.

A garganta dela estava profundamente cortada, mostrando que o assassino queria decapitá-la, mas não conseguiu ou não teve tempo de terminar. A morte de Mary causou uma debandada de moradores do complexo de apartamentos, que não pensaram duas vezes em deixar o local, com medo de serem as próximas vítimas. Além disso, jornais da época noticiaram que as vendas de armas dispararam na cidade, principalmente entre mulheres solteiras.


Mary Michael Calcutta


No mesmo dia que Mary foi atacada, houve uma terceira vítima: Doris Lynn Threadgill. Doris tinha 27 anos e trabalhava como modelo para a empresa de maquiagens do seu pai, além de ser uma exímia escritora e pintora. No dia 11 de agosto, um exterminador foi até a casa da Doris para realizar um procedimento que já estava previamente marcado. Quando entrou na casa, encontrou Doris morta com várias facadas e quase decapitada. Novamente não havia sinais de arrombamento e tinha uma trilha de sangue que ia até a rua.

Foi determinado que as mortes tiveram poucas horas de diferença, embora a casa de Doris ficasse a 10 km de distância do complexo de apartamento onde Alys e Mary moravam. Além disso, Doris não foi abusada sexualmente como as outras vítimas, e a arma do crime não foi deixada no local. A polícia divulgou posteriormente que não tinha certeza se havia conexões entre as mortes de Alys, Mary e Doris, porque, embora houvessem semelhanças, também haviam claras diferenças. No caos de Doris, a teoria é que o assassinato foi feito por um copycat (ou seja, um criminoso que copia o modus operandi de outro). 4 dias depois da morte de Doris, a polícia divulgou que estava trabalhando em um perfil psicológico do assassino (ou assassinos): para eles, o suspeito seria um homem introvertido, isolado e com dificuldades para socializar. Apesar disso, ele seria inteligente o suficiente para enganar as vítimas e ser convidado para entrar em suas casas. Pessoas foram interrogadas, mas ninguém foi preso nos meses que se passaram.

Lápide de Doris Lynn Threadgill


Dois meses depois da morte de Doris, Robert Spangenberger e sua namorada, Joann Huffman estavam passeando em um parque perto das 22h quando Robert se envolveu em uma briga, embora não exista muitas informações sobre o que de fato aconteceu. Alguns minutos depois, a polícia recebeu telefonemas de residentes afirmando que uma jovem estava batendo nas portas e gritando que alguém estava tentando ataca-la. Uma das testemunhas disse que viu um homem com um chapéu puxando essa jovem pelo braço e a levando para longe. Posteriormente, eles ouviram um tiro. Segundo as notícias da época, apesar de toda a cena, os residentes não se importaram porque pensaram que tudo era uma brincadeira.

Na manhã seguinte, no dia 4 de outubro, um homem andando de bicicleta em um parque encontrou um corpo feminino, posteriormente identificado como Joann Huffman. Ela tinha levado um tiro na boca e estava sem sapatos e sem as roupas íntimas. Enquanto a polícia ainda estava na cena do caso de Joann, eles receberam outro telefona: um funcionário de uma loja de carros reportou manchas de sangue em um carro que estava estacionado próximo do seu local de trabalho.

Quando a polícia abriu o carro, encontrou o corpo de Robert Spangenberger, sem a cabeça. Ele ainda estava com a carteira com dinheiro, o que indicava que o assassinato não tinha sido um latrocínio. Dentro do carro também foram encontrados os sapatos de as roupas intimas de Joann. Novamente a polícia preferiu não conectar os casos recentes com Doris, Alys e Mary, embora a imprensa já estivesse fazendo isso e chamando o assassino de “Decapitador de Houston”.


Robert "Bobby" Spangenberger


Em fevereiro de 1984, o serial killer Henry Lee Lucas confessou as mortes de Joann e Robert com um parceiro de crimes, inclusive contou que foi esse outro homem que havia decapitado Robert, porém tinham várias inconsistências na história contada por ele, e ele acabou sendo descartado. Henry Lee Lucas ficou famoso por confessar mais de 250 assassinatos pelos Estados Unidos, tornado ele o serial killer mais prolifico da História. Posteriormente ficou provado que a grande maioria dessas confissões eram mentira, e até hoje somente 3 pessoas são oficialmente vítimas dele.

Em 2010, investigadores especializados em resolver crimes antigos reabriram o caso na esperança de aparecerem novas pistas com o uso de novas tecnologias. Infelizmente, itens de 2 casos foram levados para o laboratório, mas não foi possível encontrar nenhum DNA. A família de Mary Michael Calcutta foi, por muito tempo, muito engajada em não deixar o caso ser esquecido. Mesmo dando entrevistas e oferecendo recompensas, eles nunca receberam uma novidade sobre o caso. Com o passar do tempo os próprios moradores de Houston foram esquecendo do caso, e talvez por isso ele não tenha ficado famoso como outros seriais killers não identificados, como o Zodíaco e o Jack, o Estripador.

Até hoje, a verdadeira conexão entre os crimes e a identidade do Decapitador (ou Decapitadores) de Houston permanece desconhecida.

Sargento Paul Motard, investigador do esquadrão de casos arquivados de Houston


FONTES: Trace Evidence Podcast, Houston Chronicle, Pittsburgh Post-Gazette, Fort Worth Star-Telegram.

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