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  • Foto do escritorRodolfo Brenner

#28 - Ted Bundy | SERIAL KILLER

Em 1974, uma onda de desaparecimentos de estudantes universitários no noroeste dos Estados Unidos estava assustando a população. O responsável era um homem aparentemente indefeso, simpático e com o braço engessado, que pedia para elas uma ajuda para carregar alguns livros até seu carro. Com apenas um nome, e um modelo de carro, a polícia tinha muitos suspeitos e poucas informações, mas com o passar do tempo, o caso virou um dos mais conhecidos da história americana.


Essa é a versão escrita do episódio #28 - Ted Bundy:



Theodore Robert Bundy nasceu no dia 24 de novembro de 1946. Ele era filho de Eleanor Louise Cowell, que deu à luz no Lar Elizabeth Lund para mães solteiras, em Burlington, Vermont. Não se sabe ao certo quem era o pai de Ted: o nome Lloyd Marshall estava na certidão de nascimento, mas Eleanor mais tarde falou que foi seduzida por um veterano de guerra chamado Jack Worthington.

Alguns membros da família já consideraram a possibilidade do avô de Ted, Samuel Cowell, ser seu pai biológico. Samuel, pai de Eleanor, era conhecido em toda a cidade por ser um homem violento e bêbado. Os vizinhos denunciaram ele por espancar a esposa, o cachorro da família e os gatos da vizinhança. Ele era mentalmente instável, racista, sexista, violento e abusivo.

Nunca foi encontrado nenhum registro militar de um homem chamado Jack Worthington e os rumores sobre o pai de Louise nunca foram oficialmente confirmados ou negados pela família.


Ted e sua mãe, Louise


Por ser mãe solteira dentro de uma família religiosa, Eleanor foi induzida a desistir da criança, até que seus pais decidiram acolher o bebê e o criarem como seu próprio filho. Como resultado, o menino cresceu acreditando que Eleanor Louise Cowell era sua irmã mais velha.

Nos três primeiros anos da vida de Ted, Eleanor viveu com seus pais e sua irmã, Julia, na Filadélfia. A sra. Cowell, mãe de Eleanor, era depressiva e chegou a ser submetida a terapia eletroconvulsiva como tratamento, além de sofrer todo tipo de abuso do seu marido. Em 1950, a pedido de vários membros da família, Eleanor deixou a Filadélfia com Ted e se mudou para Tacoma, Washington. Ted tinha apenas 3 anos quando foi separado do restante da família por quem ele achava ser sua “irmã”. Essa decisão de mudança aconteceu supostamente após um incidente durante o qual a tia/irmã de Ted, Julia, acordou uma manhã e encontrou sua cama cheia de facas de cozinha - e o jovem Ted sorrindo ao pé da cama.

Ao se mudar, Eleanor mudou seu nome para Louise Nelson e morou algum tempo com alguns primos. Em 1951, em uma noite de solteiros da igreja, ela conheceu Johnny Culpepper Bundy, cozinheiro do hospital de Tacoma. Johnny era um homem doce e carinhoso, tudo o que o pai de Eleanor não era. Em um ano eles se casaram, Johnny adotou Ted, registrou ele com seu sobrenome e, nos anos seguintes, o casal teve mais quatro filhos juntos.

Louise Bundy era dedicada em sua nova vida como mãe e dona de casa. Johnny tentava ser uma figura paterna para Ted e sempre levava os filhos em acampamentos e aventuras de pesca. Ted, porém, se recusava a cooperar e nunca se relacionou bem com o padrasto, que considerava um homem pouco inteligente, o que distanciou ele ainda mais de sua família.


Ted (à direita), com sua mãe e seus meios-irmãos

Ted era uma criança comum e até tinha alguns amigos, mas devido a um problema de fala e por crescer em uma família humilde rodeado por vizinhos com melhores condições financeiras, ele era complexado e possuía dificuldade em se enturmar. Ele participava de um grupo de escoteiros e tinha dificuldade em se destacar em gincanas e atividades competitivas. Alguns conhecidos já relataram que ele era agressivo e, algumas vezes, fazia brincadeiras de mau gosto, como criar armadilhas na floresta. Existem relatos de que, certa vez, um colega caiu e teve ferimentos graves na perna.

Durante o ensino médio, ele foi preso pelo menos duas vezes por suspeita de roubo e roubo de carro. Quando atingiu a idade de 18 anos, os detalhes dos incidentes foram apagados de seu registro, algo comum de acontecer nos Estados Unidos. Apesar das suspeitas de roubo durante o ensino médio, Ted parecia um jovem tímido e inteligente, alguém bem ajustado e determinado a grandes conquistas. Somente na década de 60 foi que Ted descobriu sua certidão de nascimento e a verdade sobre sua mãe e ficou muito ressentido pela mãe não ter revelado a verdade a ele.


Ted Bundy no último ano do ensino médio


Depois de terminar o ensino médio em 1965, Bundy frequentou a Universidade de Puget Sound por um ano antes de se transferir para a Universidade de Washington para estudar chinês. Em 1967, ele começou a namorar uma colega da Universidade de Washington, identificada pelo pseudônimo Stephanie Brooks. No início de 1968, ele abandonou a faculdade e trabalhou em vários empregos ganhando pouco. Depois, ele foi voluntário no escritório de Seattle da campanha presidencial de Nelson Rockefeller, e virou motorista e guarda-costas de Arthur Fletcher durante a campanha dele para Vice-Governador do Estado de Washington.

Enquanto isso, seu relacionamento com Stephanie acabou. Segundo ela, foi pela imaturidade e falta de ambição de Ted. Devastado pela separação, Bundy viajou e decidiu se matricular por um semestre na Temple University, na Filadélfia, onde tinha alguns parentes.


Ted Bundy e Stephanie Brooks


Em 1969, Bundy voltou para Washington, e em 26 de setembro estava em um bar quando uma mulher se aproximou dele para conversar: era Elizabeth Kloepfer, conhecida como Liz, uma mãe solteira que havia acabado de se mudar e trabalhava como secretária na escola de medicina da Universidade de Washington. Os dois tiveram uma grande conexão, e no fim da noite, Liz estava bêbada e Ted levou ela para casa e cuidou dela, sendo gentil e respeitoso. Pela manhã ele ainda estava lá preparando café para Liz e sua filha, Molly, que tinha três anos, dando início assim, a um relacionamento bastante amoroso e se tornando uma figura paterna para Molly.


Ted e Liz


Em 1970, Bundy voltou para a UW, dessa vez para estudar psicologia. Ele se tornou um aluno de honra e foi bem visto por seus professores. Em 1971, ele conseguiu um emprego no Suicide Hotline Crisis Center de Seattle. (centro de prevenção ao suicídio). Bundy se formou em 1972 e se juntou à campanha de reeleição do governador Daniel J. Evans que nomeou Ted para o Comitê Consultivo de Prevenção ao Crime de Seattle.

Bundy possuía um talento natural para a política e seu status aumentou depois da reeleição de Evans, quando Ted foi promovido a assistente especial de Ross Davis, presidente do Partido Republicano do Estado de Washington. Ele adorava a popularidade e vida social que vinha com o cargo, os convites constantes a jantares, conhecer pessoas com grande reputação, e era a vida que ele tanto desejou e se esforçou para conquistar.

Inspirado em um colega da política, Ted tomou a decisão de comprar um fusca creme e iniciar a faculdade de direito. Ele se inscreveu em várias universidades, mas com notas baixas, em 1973 Bundy foi aceito apenas na faculdade de direito da Universidade de Puget Sound e da Universidade de Utah graças às cartas de recomendação de Evans, Davis e vários professores de psicologia da UW.


Ted e seu fusca creme


Neste período, com um status político e uma carreira jurídica promissora, Ted reencontrou sua primeira namorada, a Stephanie e reatou com ela, mesmo estando em um relacionamento com Liz. Ambas não sabiam da situação e Ted chegou a pedir a mão de Stephanie em casamento.

Em janeiro de 1974, Bundy interrompeu todo contato com Stephanie e apenas um mês depois ela conseguiu contato questionando o término repentino. Com uma voz plena e calma, ele respondeu: "Stephanie, não tenho ideia do que você quer dizer", e desligou. Ela nunca mais ouviu falar dele e acreditou que ele só reatou o namoro para se vingar do primeiro rompimento. Algum tempo depois disso ele abandonou a Faculdade de Direito.

Ainda em janeiro de 1974, uma série de crimes e desaparecimentos de universitárias começou em Washington. O primeiro caso foi no dia 4: Karen Sparks, de 18 anos, foi espancada e abusada com uma haste de metal enquanto dormia em sua casa, em Seattle, onde morava com algumas amigas universitárias. Os amigos acharam que ela estava dormindo e foram quase 20h até alguém a socorrer. Ela ficou inconsciente por dez dias após isso e, embora tenha sobrevivido, ficou com sequelas permanentes.


Karen Sparks sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes


Em fevereiro, Linda Ann Healy, uma estudante da UW e garota do tempo em uma rádio local, desapareceu de dentro de sua casa. A única pista era uma mancha de sangue no travesseiro. No dia 12 de março, Donna Gail Manson, estudante do Evergreen State College em Olympia, 95km a sudoeste de Seattle, deixou seu dormitório para assistir a um concerto de jazz, mas nunca retornou. No dia 17 de abril, Susan Elaine Rancourt desapareceu a caminho de seu dormitório após uma reunião noturna de conselheiros no Central Washington State College em Ellensburg, 175 km a sudeste de Seattle.


Linda, Donna e Susan


Em 6 de maio Roberta Kathleen Parks deixou seu dormitório na Oregon State University em Corvallis, 418 km ao sul de Seattle, para tomar um café com amigos no Memorial Union, mas nunca chegou. No dia 1º de junho, Brenda Carol Ball, desapareceu depois de deixar a Flame Tavern em Burien, perto do Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma. Ela foi vista pela última vez no estacionamento, conversando com um homem de cabelos castanhos com o braço na tipoia.

A próxima estudante a desaparecer foi a Georgann Hawkins, no dia 11 de junho: ela sumiu enquanto caminhava por um beco entre o dormitório de seu namorado e sua casa de irmandade. Bundy mais tarde confessou em entrevistas que ele atraiu Hawkins para seu carro e a deixou inconsciente com um pé de cabra. Depois de algemá-la, ele a levou para Issaquah, um subúrbio a 30 km a leste de Seattle, onde a estrangulou e passou a noite inteira com seu corpo. Não se sabe ao certo se houve necrofilia durante esta madrugada.

Na manhã seguinte, ele voltou ao beco da UW enquanto já estava acontecendo a investigação da cena do crime. Lá ele localizou e recolheu os brincos e um sapato que Georgann deixou para trás no estacionamento adjacente. Ele fez tudo isso quase na frente da polícia e ninguém disse nada.


Roberta, Brenda e Georgann


Durante o primeiro semestre de 1974, havia uma taxa de desaparecimento de 1 universitária por mês, com idade entre 16 e 25 anos, brancas, magras, de cabelo liso, longo e repartido no meio. Depois da divulgação do caso da Georgann, começaram a aparecer testemunhas afirmando terem visto um homem com uma perna engessada e carregando uma pasta em um beco atrás de um dormitório próximo a noite do desaparecimento da vítima. Uma testemunha disse ter sido abordada pelo homem, que perguntou se ela não podia ajudá-lo a levar a mala até seu carro, um Fusca creme.

Durante esse período, Ted Bundy estava trabalhando em Olympia como diretor assistente da Comissão Consultiva de Prevenção ao Crime de Seattle, onde escreveu um panfleto para mulheres sobre prevenção de estupro. Mais tarde, ele trabalhou no Departamento de Serviços de Emergência (DES), um órgão estadual envolvido na busca pelas mulheres desaparecidas. No DES ele conheceu e começou a namorar Carole Ann Boone, cometendo mais uma traição a Liz.


Carole Ann Boone


No dia 14 de julho, em um lago bastante movimentado em Issaquah, mais dois desaparecimentos ocorreram em meio a multidão. Janice Anne Ott, 23, foi vista saindo da praia em companhia de um jovem usando uma tipoia e, cerca de quatro horas depois, Denise Marie Naslund, de 19 anos, deixou um piquenique para ir ao banheiro e nunca mais voltou. Neste mesmo dia, outras mulheres testemunharam terem sido abordadas por este homem usando tipoia no braço esquerdo. Ele disse que se chamava "Ted" e pediu ajuda para descarregar um veleiro de seu fusca.

A polícia do condado de King entrevistou várias pessoas presentes no parque, identificaram as testemunhas e finalmente conseguiram uma descrição de seu suspeito e seu carro e divulgaram em panfletos, jornais e transmitiram em canais locais de TV. A polícia recebia 200 ligações ao dia com denúncias ou relatos associados a um homem que se nomeava Ted e tinha um fusca creme. Na época não haviam computadores para agilizar o processo e a força tarefa tinha 11 pessoas. A polícia definiu um padrão de vítimas mas havia pouca informação sobre Ted. Haviam pelo menos 1000 suspeitos.


Janice e Denise


Liz ligou para a polícia e denunciou seu namorado como suspeito, relatando que ele contou para ela que seguia universitárias a noite e tentava "não fazer nada além disso". Além disso, ela teria encontrado uma bolsa de roupas íntimas femininas e uma faca embaixo do banco do carro. Mas apesar disso, ela admitiu não ver nenhum sinal incomum ou violento no comportamento de seu namorado, o que pareceu apenas mais uma ligação associada a traição do namorado

Além da Liz, uma colega de trabalho de Ted, um funcionário do Departamento de Serviços de Emergência e um professor de psicologia da UW também associaram o perfil e o esboço do carro a Bundy e realizaram uma denúncia, mas ao serem questionados, também negaram comportamento violento. Apesar disso, ele tinha o nome, o carro, e estava nas proximidades da região em que estavam ocorrendo os desaparecimentos. Portanto, ele se tornou um suspeito em potencial. Mas ao mostrar uma foto de Ted para as testemunhas do parque, algumas negaram que aquele fosse o homem que viram.

Com tantas denúncias por dia, sem testemunhas e Bundy sendo apenas um estudante sem antecedentes criminais, não havia nada concreto para associar os crimes a ele.


Liz, Molly e Ted


Em agosto de 1974, Ted Bundy recebeu uma segunda aceitação da Faculdade de Direito da Universidade de Utah e decidiu se mudar para Salt Lake City, onde conheceu alguns membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e se batizou mórmon. Ele deixou sua namorada Liz em Seattle e apesar de ainda estar com ela e ligar com frequência, se relacionava com outras mulheres em Utah.

A necessidade por perseguir e matar universitárias não cessou com a mudança de estado: no dia 2 de outubro, ele sequestrou Nancy Wilcox, de 16 anos, em Holladay, Utah e ela nunca mais foi encontrada. Em 18 de outubro, Melissa Anne Smith, filha de 17 anos do chefe de polícia de Midvale, desapareceu depois de sair de uma pizzaria. Seu corpo foi encontrado nu, em uma área montanhosa da região nove dias depois. O exame post-mortem indicou que ela pode ter permanecido viva por até sete dias após seu desaparecimento. Em 31 de outubro, Laura Ann Aime, também com 17 anos, desapareceu 40 km ao sul de Lehi depois de sair de um café após a meia-noite. Seu corpo foi encontrado por algumas pessoas que passeavam no entorno do American Fork Canyon. Ambas as meninas foram espancadas, estupradas, sodomizadas e estranguladas com meias de náilon.


Nancy, Melissa e Laura


No dia 8 de novembro, Bundy abordou a telefonista de 18 anos Carol DaRonch no Fashion Place Mall em Murray. Ele se identificou como "Oficial Roseland" do Departamento de Polícia de Murray e disse para Carol que alguém tinha tentado arrombar seu carro. Ela o acompanhou até o carro para checar se havia algo faltando e ele recomendou que Carol o acompanhasse até a delegacia para prestar queixa. Desconfiada, Carol pediu para checar a identificação dele, que mostrou imediatamente. Após isso ela o acompanhou até o carro sem questionar, mesmo notando que ele não estava em uma viatura. Ela imaginou que ele poderia estar à paisana em seu fusca creme.

No meio do caminho, Carol percebeu que aquela não era a rota da delegacia e questionou Ted. Ele imediatamente estacionou e algemou uma das mãos de Carol. Os dois lutaram, mas ela conseguiu abrir a porta do carro e escapar. Correu até a estrada e entrou no primeiro carro que passou, pedindo para ir a delegacia.


Carol DaRonch


Ainda na mesma noite, Debra Jean Kent, uma estudante de 17 anos da Viewmont High School em Bountiful, 30 km de Murray, desapareceu depois de deixar uma produção teatral na escola para pegar seu irmão. Testemunhas disseram à polícia que um homem havia pedido ajuda para identificar um carro no estacionamento. Mais tarde, outra testemunha viu o mesmo homem andando de um lado para o outro no fundo do auditório um pouco antes do final da peça. Fora do auditório, os investigadores encontraram a chave que destravou as algemas presas no pulso da Carol.

Nessa época, um grupo de estudantes descobriram crânios e mandíbulas em uma trilha para o monte Taylor de Washington. Após análises, foi constatado que eles pertenciam a seis mulheres desaparecidas em Washington e em Utah. Somente neste momento é que todas estas mulheres puderam ser associadas a um único assassino e os investigadores de Washington e Utah uniram informações para traçar um único perfil e retrato falado. O termo serial killer ainda não era utilizado nesta época.

Ainda em novembro, Liz ligou para a polícia do condado de King pela segunda vez depois de ler que jovens estavam desaparecendo nas cidades ao redor de Salt Lake City. Ela foi interrogada pelo detetive da divisão de Crimes Graves Randy Hergesheimer. Até então, Bundy havia subido consideravelmente na hierarquia de suspeitas de King County, mas não havia provas ou testemunhas para conectar Ted às vítimas. Em dezembro, Liz ligou para o Gabinete do Xerife do Condado de Salt Lake e repetiu suas suspeitas. Ted foi adicionado à lista de suspeitos, mas nada além disso aconteceu sem mais evidências. Em janeiro de 1975, Ted voltou a Seattle após seus exames finais e passou uma semana com Liz, que não contou nada sobre ter denunciado ele para a polícia.


A mãe de Debra Jean Kent segura um quadro com uma foto de sua filha


Em 1975, Bundy mudou sua rota de ataques para o Colorado: no dia 12 de janeiro, a enfermeira Caryn Eileen Campbell desapareceu de dentro de um resort em Snowmass Village após entrar em um elevador. Seu corpo foi encontrado um mês depois ao lado de uma estrada próxima ao local. A causa da morte foi traumatismo craniano, mas ela também apresentava cortes profundos feitos com algo afiado. No dia 15 de março, uma instrutora de esqui chamada Julie Cunningham, desapareceu a caminho de um jantar que teria com um amigo. Em 6 de abril, Denise Lynn Oliverson desapareceu perto da fronteira de Utah com o Colorado enquanto ia de bicicleta para a casa de seus pais.


Caryn, Julie e Denise


No dia 6 de maio, Idaho, uma menina de apenas 12 anos chamada Lynette Dawn Culver saiu da escola em seu horário de almoço e nunca mais foi encontrada. Alguns anos depois, Ted confessou ter afogado e jogado seu corpo em um rio. Em meados de maio, Ted passou uma semana em Seattle com a Liz e eles fizeram planos de casamento para o próximo natal. No dia 28 de junho, mais uma estudante desapareceu: Susan Curtis, que estudava na Universidade Brigham Young.

Enquanto Ted cometia assassinatos no Colorado, os investigadores tentavam conectar os casos no estado de Washington. Na época os computadores eram bem primitivos, e não existiam bancos de dados digitais que podiam ser acessados como hoje. A polícia teve a ideia de usar o computador usado para fazer a folha de pagamento do condado para inserir as informações que eles tinham coletado, criando um dos primeiros bancos de dados criminais do país. Depois de compilar as informações e realizar uma busca, eles encontraram 26 nomes, dentre eles, Ted Bundy. Liz já sabia que Ted tinha se mudado para a área dos assassinatos e ligou para a polícia mais uma vez. Dessa vez já haviam várias evidências que apontavam para ele.


Lynette e Susan


No dia 16 de agosto de 1975, o oficial de trânsito Bob Hayward estava patrulhando uma estrada em uma área residencial de Salt Lake City quando Ted passou com os faróis apagados. Ele fez sinal para que ele parasse, mas Bundy fugiu. Bob conseguiu alcançá-lo e fez com que saísse do carro. O policial notou que o banco do passageiro da frente do Volkswagen havia sido removido e colocado nos bancos traseiros, e decidiu revistar o carro: ele encontrou uma máscara de esqui, uma máscara feita de meia-calça, um pé de cabra, algemas, sacos de lixo, um rolo de corda, um picador de gelo, e outros itens que Bob considerou suspeitos e levou Ted à delegacia.

Com a descrição do ocorrido, o detetive Jerry Thompson lembrou do sequestro de Carol DaRonch no ano anterior, com um suspeito semelhante e com o mesmo carro, além do nome Ted Bundy dado por um telefonema de Liz na mesma época. Com a suspeita do ataque contra Carol, a polícia realizou uma busca no apartamento de Bundy, mas não conseguiu encontrar nada, e ele foi libertado. Apesar disso, a polícia de Salt Lake City colocou Bundy sob vigilância.

O detetive Thompson foi para Seattle entrevistar Liz e ela relatou algumas situações atípicas: ela disse que, antes de Ted se mudar para Utah, ela havia encontrado muletas, um saco de gesso, um cutelo de carne e um saco de roupas femininas no apartamento dela; ele mantinha no porta-luvas algumas luvas cirúrgicas e uma faca; que Ted Bundy tinha dívidas e a roubava; e que ela o confrontou e ele ameaçou quebrar seu pescoço. Ela também disse que Ted implicava quando ela queria deixar o cabelo comprido e repartido no meio, e que ela já acordou no meio da noite e encontrou Ted examinando seu corpo com uma lanterna.

Mais importante foi que os detetives conseguiram confirmaram com Liz que Bundy não estava na casa dela em nenhuma das datas em que as vítimas desapareceram. Durante entrevista com a detetive de homicídios Kathy McChesney de Seattle, Liz soube da existência de Stephanie Brooks e seu breve noivado com Bundy em 1973.

Em setembro, Bundy vendeu seu fusca para um adolescente de Midvale, mas a polícia de Utah conseguiu o apreender e levar até o FBI para revistaram. Foram encontrados cabelos combinando com amostras obtidas do corpo de Caryn Eileen Campbell (Colorado), Melissa Anne Smith e Carol DaRonch (Utah). Em 2 de outubro, os detetives chamaram Carol DaRonch para realizar um reconhecimento: colocaram Bundy em uma fila e ela o identificou imediatamente como seu agressor. Além disso, testemunhas de Bountiful o reconheceram como o estranho no auditório da Viewmont High School, de onde Debra Jean Kent desapareceu, logo após o ataque a Carol.

Não haviam provas suficientes para ligar Ted a Debra Kent, mas havia provas para acusá-lo de sequestro agravado e tentativa de agressão no caso de Carol, e ele foi preso, mas libertado sob fiança de $15.000 que foi paga por seus pais. Ele continuou morando morando na casa de Liz, que neste momento teria interrompido a comunicação com a polícia para não ser prejudicada. Em novembro, investigadores de Utah, Washington e Colorado se reuniram em Aspen, e trocaram informações com trinta detetives e promotores de cinco estados. Apesar de estarem convencidos de que Bundy era o assassino que procuravam, eles concordaram que seriam necessárias mais provas antes que pudessem acusá-lo.


Ted Bundy - o penúltimo - na fila de reconhecimento da polícia


Em fevereiro de 1976, Bundy foi julgado pelo sequestro de Carol. Seguindo o conselho de seu advogado, John O'Connell, ele renunciou ao seu direito a um júri devido à publicidade negativa em torno do caso. Após um julgamento de quatro dias, o juiz Stewart Hanson Jr. o considerou culpado de sequestro e agressão, e em junho ele foi sentenciado a até quinze anos na Prisão Estadual de Utah.

Em outubro as autoridades do Colorado o acusaram pelo assassinato de Caryn Campbell. Após um período de resistência, ele foi transferido para Aspen em janeiro de 1977. A audiência preliminar estava agendada para 7 de junho de 1977, no tribunal do condado de Pitkin em Aspen. Ted Bundy possuía um conselho jurídico, mas havia escolhido realizar sua defesa sozinho, andando livremente pelo tribunal, sem algemas e correntes. Durante um recesso, ele pediu para visitar a biblioteca e realizar uma pesquisa, onde foi com um policial de escolta que permaneceu na porta da sala, conferindo periodicamente. Até que, em uma última checagem, não encontrou mais Bundy na sala, restando apenas as marcas de suas pegadas na grama em frente ao tribunal, após um salto da janela da biblioteca, no primeiro andar do tribunal.

A polícia realizou bloqueios em estradas e fez uma busca intensiva em cada carro, mas nenhuma pista de Ted surgia. Após dois dias desaparecido, a polícia deu início a busca nas montanhas de Aspen, 150 policiais e cinco cães entraram pelas trilhas em busca de alguma pista. O FBI foi acionado, mas eles não tinham mais informações do que a polícia local.


Reportagem sobre a fuga de Ted Bundy (em inglês)


Quase uma semana depois, um policial parou um carro andando desgovernado nos arredores de Aspen. Demorou alguns segundos para reconhecer, mas era Ted Bundy. Ele confessou que correu para as montanhas e encontrou uma cabana, onde ficou no primeiro dia, levando comida, roupas e um rifle. Por dois dias ele caminhou pelas trilhas, mas o cansaço somado ao clima chuvoso e sua condição física, com os pés machucados após o salto, atrapalharam e ele acabou se perdendo de sua rota. Ele encontrou e invadiu um trailer para pegar mantimentos para retornar para Aspen, encontrou um carro estacionado próximo a um clube de golfe com a chave na ignição e fugiu.

O julgamento agora acrescentava a fuga contra ele, mas ele parecia seguro, sempre simpático e sorridente pelo tribunal, como se fosse vitorioso por ter conseguido fugir, mesmo que capturado logo em seguida. Agora ele andava algemado e monitorado o tempo todo. De volta à prisão, Ted recebeu conselhos de seus consultores jurídicos para se comportar, pois o caso estava enfraquecendo à medida que evidências eram descartadas, consideradas inadmissíveis. Se ele vencesse a acusação de assassinato de Caryn Campbell, isso poderia contribuir para que outras acusações fossem desmotivadas, garantindo a absolvição de Ted. Mas Ted já estava planejando uma nova fuga, e colocou seu plano em ação ao longo de seis meses, quando ele conseguiu uma planta da prisão, uma pequena serra e US$ 500.

No dia 31 de dezembro de 1977, um policial foi checar a cela de Bundy, que parecia estar dormindo. Quando ele olhou com mais atenção, percebeu que não há nada além de livros embaixo de uma coberta e uma pequena abertura serrada no forro da cela. Com o feriado de ano novo, funcionários da prisão de folga e criminosos não violentos visitando suas famílias, Ted acessou o teto do quarto de um carcereiro, conseguiu um uniforme e saiu da prisão tranquilamente pelo portão da frente, e os guardas só perceberam sua ausência da cela 17 horas depois. Neste intervalo, Ted já tinha roubado um carro, pego carona, viajado de ônibus até Denver e já estava em um avião para Chicago. Antes de sua fuga, ele ainda ligou para Liz para dizer que a amava.


A cela que Ted Bundy fugiu


De Chicago, Ted viajou de trem para Michigan, onde há relatos sobre sua presença em uma taverna no dia 2 de janeiro de 1978, após um jogo de futebol americano da Universidade de Washington contra Michigan. Cinco dias depois, ele roubou um carro e foi até Atlanta, embarcou em um ônibus e chegou em Tallahassee , Flórida, em 8 de janeiro. Ele ficou por uma noite em um hotel antes de alugar um quarto sob o pseudônimo de Chris Hagen em uma pensão perto do campus da Universidade Estadual da Flórida. Ted tentou encontrar um trabalho, se camuflar e ter uma vida normal, mas precisava de alguma identificação para ter um emprego formal. Por causa disso, passou a roubar carteiras de clientes distraídos em mercados e bares da região.

Na madrugada de 15 de janeiro de 1978 — uma semana após sua chegada a Tallahassee — Ted iniciou uma nova onda de assassinatos. Ele entrou na casa da irmandade Chi Omega da Universidade Estadual da Flórida e realizou um ataque brutal: em menos de 15 minutos ele espancou Margaret Bowman, de 21 anos, com um pedaço de lenha enquanto ela dormia, depois estrangulou ela com uma meia de náilon e a estuprou. Seguiu para o quarto de Lisa Levy, de 20 anos, também espancou ela inconsciente, estrangulou, rasgou um de seus mamilos, mordeu profundamente sua nádega esquerda e a agrediu sexualmente com um frasco de spray de cabelo.


Lisa e Margaret


No próximo quarto, ele atacou Kathy Kleiner, quebrou sua mandíbula e lacerou seu ombro; e também Karen Chandler, que sofreu uma concussão, mandíbula quebrada, perda de dentes e um dedo esmagado. Ted teria matado Kathy e Karen se não tivesse fugido ao se assustar com os faróis de um carro que passou e iluminou a janela: era Nita Neary, outra moradora, que e chegou em casa por volta das 3 da manhã e notou que a porta estava entreaberta. Quando entrou, ouviu passos apressados no andar de cima e se escondeu atrás de uma porta. Ela conseguiu ver um homem com um boné azul e carregando um tronco, fugir da casa.


Kathy (a cima) e Karen (a baixo)


Ted seguiu por 8 quadras e invadiu outro apartamento, atacando desta vez Cheryl Thomas, deslocando seu ombro e fraturando sua mandíbula e crânio em cinco lugares. Ela ficou com surdez permanente e danos no equilíbrio, o que encerrou sua carreira na dança. A polícia encontrou na cama de Cheryl uma mancha de sêmen e uma "máscara" de meia-calça contendo dois fios de cabelo de Ted.


Cheryl Thomas


Em 8 de fevereiro, Bundy dirigiu até Jacksonville em uma van da universidade roubada. Em um estacionamento, ele se aproximou de Leslie Parmenter, de 14 anos, filha do chefe de detetives do Departamento de Polícia de Jacksonville, identificando-se como Richard Burton, do Corpo de Bombeiros, mas ao notar um irmão mais velho se aproximando para confrontá-lo, fugiu. Ted retornou 97km até Lake City e no dia seguinte Kimberly Dianne Leach, de 12 anos, desapareceu de sua escola. Sete semanas depois, seus restos mortais foram encontrados em um galpão de criação de porcos perto do Suwannee River State Park. Ela parecia ter sido estuprada e morta por lacerações no pescoço com uma faca.


Leslie e Kimberly


Em 12 de fevereiro, Ted estava com o aluguel atrasado, pouco dinheiro e preocupado com o risco de ser pego. Ele então roubou um carro e fugiu do Tallahassee em sentido a Panhandle, ainda na Flórida. Três dias depois, por volta da 1h da manhã, ele foi parado em uma blitz em Pensacola pelo policial David Lee. David percebeu que o carro era roubado e ao dar voz de prisão a Ted, recebeu um chute nas pernas e Bundy saiu correndo. David disparou dois tiros de advertência, perseguiu e atacou Ted, que lutou pela arma do policial até que foi dominado e preso.

Ted estava usando o nome de Kenneth Misner e estava fisicamente diferente, rosto mais robusto, corte de cabelo diferente e até uma cicatriz no rosto. A sua prisão apareceu nos jornais e o verdadeiro Kenneth Misner se apresentou à polícia para se identificar. Bundy se negou a confirmar seu verdadeiro nome até diante do juiz. As investigações continuaram em torno do carro, onde foram encontradas identidades, mais de 20 cartões de crédito, muitos pertencendo a estudantes da Universidade Estadual da Flórida e placas de carro roubadas. Também foi encontrada uma calça xadrez, que mais tarde foi identificada como o disfarce usado por Ted para se passar por um bombeiro em Jacksonville. O carro extremamente limpo de cabelos ou qualquer outro vestígio que permitisse aos policiais descobrirem sua identidade.

Ted foi intensamente interrogado pela polícia até que acabou confessando sua identidade em troca de uma ligação para Liz. Ele contou a Liz que estava preso na Flórida e estava preocupado que isso fosse a público e piorasse seu caso. Também comentou que se sentia doente e que lutava contra uma força que o consumia, mas que não suportou e acabou cedendo a ela. Com a identidade de Bundy revelada, a polícia analisou seu trajeto através dos cartões de crédito para investigar a presença de Ted nos locais e datas das vítimas da Universidade Estadual da Flórida e da garotinha de 12 anos, Kimberly Leach, confirmando que ele estava nas proximidades dos locais de crime.

Em 7 de julho de 1978 Ted foi oficialmente acusado pelo ataque e homicídios das meninas da irmandade Chi Omega diante de uma coletiva de imprensa bastante dramática anunciada pelo Delegado Ken Katsaris, a quem Ted acusava de usar o caso para favorecer politicamente.


Vídeo da coletiva de imprensa de Bundy (em inglês)


Em abril de 1979, o defensor público Michael Minerva foi designado para defender Ted e vendo a grande chance de perder o caso, ele queria negociar um acordo para salvar Ted da pena de morte: se Ted confessasse culpa seria condenado apenas a prisão perpétua, e Bundy concordou em confessar. Em 1° de junho houve um pré-julgamento no tribunal do condado de Leon. Diante do Juiz Edward D. Cowart, Ted rejeitou seu advogado, dizendo que ele não tinha uma boa defesa, já que o achava culpado. Ele se declarou inocente e insistiu para fazer a própria defesa. O juiz autorizou, porém manteve Michael como conselheiro.

Em 1° de julho se deu início ao julgamento de Ted em Miami. Este foi o primeiro julgamento televisionado dos Estados Unidos, coberto por 250 repórteres. Neste julgamento houve uma tentativa do conselho de advogados de Ted de considerá-lo incapaz para evitar o julgamento, mas não foi uma abordagem convincente para o juiz.

Ted estava bastante confiante de si e de suas palavras, mesmo quando não faziam sentido. Ele chegou a interrogar um dos policiais que atendeu o chamado no dia do crime na universidade e pediu repetidamente detalhes de como os corpos estavam e se a testemunha havia tocado neles, como se revisitasse o crime. Nita Neary, que o viu fugindo da irmandade Chi Omeg, também testemunhou e descreveu o homem que viu na irmandade e apontou para Ted. Mas um dos advogados de defesa de Ted tomou a frente e a interrogou, a fazendo assumir que não conseguiu ver muitos detalhes para acusar Ted.


Nita Neary aponta para Ted Bundy como o homem que invadiu a Chi Omeg


Apesar da excelente abordagem do advogado, Bundy ficou revoltado por seu conselheiro ter o impedido de interrogar Nita, e o advogado se retirou do caso. Além da testemunha, havia evidência das marcas de mordida deixadas no corpo de Lisa Levy. O Dr. Richard Souviron, odontologista forense, apresentou a prova e trouxe um molde da mordida de Bundy, coletado com autorização de um mandato, e comparou os padrões, demonstrando similaridade. Esta foi a primeira vez que este tipo de evidência foi utilizada em um caso criminal e foi uma evidência bastante polêmica por não conter a credibilidade que vestígios de DNA teriam.

Ted tinha ao seu lado em todos os dias de julgamento sua mãe e uma namorada de Washington, Carole Boone, que acreditavam na inocência de Ted, como se a condenação dele fosse alguma conveniência política. Carole também visitava Ted com frequência. Ao longo de todo o julgamento, Ted continuava fazendo piadas e de bom humor, até que no dia 24 de julho de 1979 o caso foi entregue para a decisão do júri.

Antes do anúncio do veredicto, a mãe de Ted, declarou no tribunal em defesa da vida de Ted: "Minha criação cristão me diz que tirar a vida de outra pessoa sob qualquer circunstância, é errado. Não creio que o estado da Flórida esteja acima das leis de Deus. Ted pode ser útil de muitas formas, a muitas pessoas vivo. Se ele se for, será como tirar uma parte de todos nós e jogá-la fora".

Ao anunciar o veredicto do júri, o juiz Edward também fez um discurso comovente, e disse: "O tribunal considera as duas mortes hediondas, abomináveis e cruéis. Elas foram extremamente perversas, surpreendentemente malignas, vis e o produto do desejo de infligir um alto nível de dor e uma enorme indiferença à vida humana. Este tribunal de acordo com a pena decidida pelo júri, impõe então a pena de morte ao réu Theodore Robert Bundy. Cuide-se jovem. Eu estou sendo sincero. Se cuide. É uma tragédia este tribunal ver tamanho desperdício, eu acho, da humanidade que já presenciei neste tribunal. Você é um jovem brilhante. Seria um bom advogado. Eu adoraria vê-lo atuar na minha frente, mas você seguiu outro caminho. Se cuide. Não tenho nada contra você, quero que saiba disso".


Reportagem sobre a sentença de Ted Bundy com a mensagem do juiz Edward Cowart


Em novembro de 1979 Ted foi julgado novamente, desta vez pela morte de Kimberly Leach, de 12 anos. Havia uma testemunha ocular que viu Kimberly ser levada do pátio da escola para uma van escolar branca, além de provas que associavam Ted a esta Van, como vestígios de sangue da vítima e fibras de tecidos que combinavam com as roupas da Kimberly e com a jaqueta que Ted usava quando foi preso, que continha um erro de incomum de fabricação, provas mais consistentes do que as do julgamento anterior.

Bundy novamente agiu como advogado e se aproveitou de uma lei da Flórida que determinava que uma declaração de casamento no tribunal, na presença de um juiz, constituía um casamento legal. Ted então interrogou Carole, que era sua testemunha de caráter, e ao longo da conversa pediu para ela se casar com ele, e ela aceitou. Mas a tentativa de distração não comoveu o júri, que novamente o considerou culpado da acusação.


Ted propõe casamento para Carole


Em 1981, Ted estava na Flórida, no corredor da morte. Ele recebia visitas de Carole, que subornava os guardas para ter privacidade com ele. Em outubro ela deu à luz a Rose Bundy. Carole demorou mais algum tempo para acreditar que Ted havia cometido os assassinatos.

Ao longo do período em que ficou preso, Ted iniciou uma série de entrevistas com os jornalistas Stephen Michaud e Hugh Aynesworth. Ele deu diversos detalhes sobre sua vida e quando se tratava de comentar os crimes, ele sempre usava a terceira pessoa, agindo como se fosse um psicólogo analisando o perfil do assassino e jamais admitindo qualquer culpa. Em algumas destas entrevistas, Ted relatou mais de uma vez que durante a adolescência não tinha amigos e que "não sabia o que os outros buscavam em uma amizade". Também já chegou a relatar que caminhava pelo bairro buscando janelas para observar mulheres se despindo ou livros/revistas descartados contendo material relacionado a violência sexual.

Em 1986, Ted já estava a 5 anos no corredor da morte e não havia admitido a culpa por nenhum dos crimes. A advogada Polly Nelson, uma ativista contra a pena de morte, pegou o caso de Ted para tentar salvá-lo da cadeira elétrica: sua intenção era provar que Ted teria algum distúrbio psiquiátrico que não foi levado em conta quando autorizaram que ele realizasse sua própria defesa nos julgamentos. A doutora em psiquiatria Dorothy Lewys realizou uma avaliação de Ted e diagnosticou bipolaridade. Polly conseguiu várias suspensões da execução até janeiro de 1989, quando a última suspensão foi negada. Sem ter mais alternativas para escapar da pena, no dia 22 de janeiro, Bundy decide confessar o assassinado de mais de 30 mulheres para tentar prolongar sua vida para além dos próximos 2 dias.


A advogada Polly Nelson


O modus operandi de Bundy evoluiu ao longo do tempo, como é típico dos serial killers: no início, consistia na invasão de uma casa durante a noite, seguida de um ataque violento enquanto a vítima dormia. Mas Ted aperfeiçoou sua metodologia ao longo do tempo, tornando-se mais organizado e em relação a escolha da vítima. Ele então se tornou mais sofisticado, abordando as vítimas em busca de ajuda para levar algo a seu carro, usando gesso no braço ou muletas para parecer inofensivo.

No momento que a vítima se aproximava de seu carro, era dominada, espancada e algemada antes de ser abusada e estrangulada. Bundy então viajava para um outro local pré-selecionado a uma distância considerável de onde havia feito o sequestro. No local de desova do corpo, o Ted removia e queimava as roupas das vítimas como parte do ritual e também para destruir possíveis provas. Ted assumiu também que praticava necrofilia. Ele frequentemente revisitava os corpos, os vestia, maquiava, pintava suas unhas e até tirava foto com eles. Ele disse aos investigadores: "Quando você trabalha duro para fazer algo certo não quer esquecer disso". Acredita-se que Bundy praticava atos sexuais com os corpos até um estado de putrefação significantemente avançado.

Ted ainda confessou ter decapitado pelo menos 12 de suas vítimas com uma serra, e manteve cabeças em seu apartamento por um período antes de descartá-las. Bundy afirmou ter incinerado a cabeça de uma vítima na lareira de Liz. Ele ainda disse que de todas as coisas que ele fez para Liz, essa provavelmente é a que ela menos perdoaria.


Última entrevista de Ted Bundy (legendado)


A confissão de Ted foi registrada, mas isso não despertou interesse em adiar a execução. Na tarde anterior à execução, Bundy concedeu uma entrevista ao radialista James Dobson, também psicólogo e fundador da organização evangélica cristã Focus on the Family. Ele explicou a origem aos dos seus crimes tendo início no vício em pornografia que se iniciou na adolescência. Ted descreveu ter uma sede por pornografia mais violenta que aumentou até que não houvesse mais nada que o deixasse tão anestesiado. Além disso, falou sobre perder a sensibilidade conforme seguia somando vítimas, mas alegou arrependimento e chorou várias vezes durante a conversa, demonstrando bastante culpa.

Já na cadeira em que seria eletrocutado, no dia 24 de janeiro de 1989, Ted falou suas últimas palavras: "Jim e Fred, eu gostaria que vocês dessem meu amor à minha família e amigos". Jim Coleman era um de seus advogados e Fred Lawrence era um ministro metodista que passou a noite em oração com Ted. Às 7h16, Ted Bundy foi declarado morto. Muitas pessoas acompanharam o momento, como se fosse um evento esportivo com direito até a fogos de artifício. Era possível ouvir em meio a multidão coisas como "Queime, Bundy, queime!". Ted escolheu a cremação e pediu para que suas cinzas fossem jogadas em Cascade Mountain, lugar que trazia boas lembranças para ele…e onde os corpos de algumas de suas vítimas foram localizados.


Pessoas comemoram a execução de Ted Bundy


Após a confissão, as autoridades estudaram o Modus Operandi de Bundy e chegaram ao número aproximado de 65 outras possíveis vítimas. No levantamento de dados, houve indícios do primeiro assassinato ter sido aos 14 anos, quando Ted teria matado um vizinho de 8 anos. Nas entrevistas que cedeu, Bundy disse que não tinha muito em comum com Liz, mas Ted assumiu que tinha um sentimento de amor muito intenso por ela, algo que não conseguia demonstrar mas que tentava agradar levando flores, fazendo os trabalhos domésticos.

Liz parou de ter contato com Ted apenas em 1980, quando ele já estava no corredor da morte. Quando adulta, a filha de Liz, Molly escreveu sobre incidentes em que Bundy foi sexualmente inapropriado com ela, incluindo exposição indecente e toque sexual disfarçados de "jogos".

As conclusões sobre o diagnóstico de Ted são discutidas entre especialistas até hoje. Embora alguns sugiram transtorno bipolar, transtorno de personalidade múltipla e esquizofrenia para explicar as mudanças de comportamento de Ted. O mais provável é que, hoje, ele seria diagnosticado com transtornos de personalidade antissocial, conhecido como "sociopatia" ou "psicopatia": Ted usava seu charme e carisma para enganar e manipular as pessoas, tinha dificuldade de distinguir o certo do errado, de sentir empatia, culpa ou remorso pelos seus atos.


Liz Kendall e sua filha Molly


• FONTES: Revista Galileu, BBC, NNDB, Aventuras na História, Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy.

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