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  • Foto do escritorRodolfo Brenner

#20 - John Wayne Gacy, o Palhaço Assassino | SERIAL KILLER

Você tem medo de palhaço? Se a resposta for sim, saiba que você não está sozinho: segundo uma pesquisa de 2016, 8% da população tem medo deles. O pavor é tanto que existe uma fobia específica, a Coulrofobia, o medo irracional de palhaços, e não importa se ele for o Patati ou o Pennywise, todos irão assustar. A ideia de um palhaço assassino é assustadora no cinema, mas e se acontecesse algo parecido na vida real? Um serial killer que nas horas vagas se veste de palhaço?


Essa é a versão escrita do episódio #20 - John Wayne Gacy, o Palhaço Assassino:



John Wayne Gacy nasceu em 17 de março de 1942 em Chicago, Illinois. Ele era filho de John Gacy, um mecânico, e Marion Robison, uma dona de casa, e tinha duas irmãs chamadas Karen e Joanne. A família do pai tinha ascendência polonesa, os avós dele tinham imigrado da Polônia para os Estados Unidos no século XIX, e toda a família era católica e frequentava a igreja.

O pai do John era alcoólatra e violento, e ele cresceu com marcas dessa brutalidade paterna: uma de suas primeiras lembranças era do pai batendo nele com um cinto, isso porque ele teria mexido em um motor que o pai estava montando. Além da violência física, o pai constantemente o agredia de forma verbal, chamando ele de burro e estúpido. Por causa da proximidade que o John tinha com a mãe e com as irmãs, o pai dizia coisas horríveis para ele, chamava ele de gay, bicha, maricas, e outros termos pejorativos.

Quando ele tinha 7 anos, um empreiteiro amigo da família molestou o John no seu caminhão, mais de uma vez. Ele nunca contou isso para ninguém porque ele tinha medo de que seu pai o culpasse e o punisse por isso. Em 1949, ele e um amigo foram pegos acariciando se forma sexual uma garotinha, e isso chegou até seu pai. Quando ele soube disso, o pai bateu nele com um navalhete de barbeiro.

John Gacy era descrito como uma criança obesa e pouco atlética. Ele também tinha um problema cardíaco, e os médicos instruíram ele a não praticar esportes na escola. E esse não era o único problema de saúde que ele tinha: quando ele estava na quarta série, o John começou a ter desmaios, e chegou a ficar hospitalizado. Em 1957 ele foi internado de novo, dessa vez por causa de uma apendicite. Dentre os 14 aos 18 anos, ele passou quase um ano no hospital, e por causa disso as suas notas caíam. O pai dele dizia que ele fingia estar doente apenas para chamar a atenção das pessoas.

No ensino médio a relação com o pai ficou ainda pior, tanto que um dos amigos dele da época disse que o pai ridicularizava e batia no John por qualquer motivo. Em uma ocasião, o pai dele estava bêbado e começou a atacar o filho sem nenhum motivo. A mãe tentou intervir, mas o John simplesmente deixou o pai agredi-lo. Todo mundo que testemunhou essas agressões disse que o Gacy nunca revidou, e ele mesmo disse amava seu pai, apesar de sentir que nunca foi bom o suficiente aos olhos dele.


John Gacy durante a adolescência


Quando tinha 18 anos, o John Gacy se envolveu em política, trabalhando no gabinete de um candidato do Partido Democrata. Para quem não sabe, nos Estados Unidos a grande maioria dos políticos pertencem a dois partidos: o Partido Democrata, considerado um partido de esquerda e mais liberal; e o Partido Republicano, de direita e mais conservador.

Em 1960, o seu pai comprou um carro, mas não passou para o nome do John, e disse que só faria isso quando ele pagasse todas as parcelas. O carro virou uma espécie de barganha entre os dois, já que o pai confiscava as chaves quando o John não fazia tudo o que ele queria. Depois de ser impedido de dirigir diversas vezes, o John comprou uma chave extra. Em retaliação, seu pai retirou a tampa do distribuidor. Essa foi a gota d’água para ele, que resolveu sair de casa.

Em 1962, John Gacy se mudou então para Las Vegas. Lá ele trabalhou como motorista de ambulância por um tempo, até conseguir emprego no Palm Mortuary, um necrotério, onde ele trabalhou como atendente e dormia em uma cama atrás da sala de embalsamamento. Durante uma noite, enquanto estava sozinho, John foi até o caixão de um adolescente e começou a acariciar o corpo dele. Quando ele percebeu o que ele estava fazendo, ele ficou em choque. No dia seguinte, ele ligou para sua mãe e perguntou se seu pai permitiria que ele voltasse para casa. O pai concordou, e no mesmo dia ele voltou para Chicago.

Depois de voltar para casa, o John se matriculou no Northwestern Business College, onde ele se graduou em 1963. Assim que ele se formou, ele conseguiu um cargo de trainee na Nunn-Bush Shoe Company, uma empresa de calçados. Em 1964, ele foi transferido para Springfield, também em Illinois, para trabalhar como vendedor, mas logo foi promovido para gerente.

Em março de 1963, o John começou a sair com uma colega de trabalho chamada Marlynn Myers, e os dois logo começaram um relacionamento. Nesse período, ele entrou para a United States Junior Chamber, que pelo que eu entendi é uma organização sem fins lucrativos que oferece treinamentos e cursos em áreas de gestão e negócios. E foi nessa época que ele teve a segunda experiência homossexual: em uma noite, um dos colegas de John dessa organização foi até a casa dele, os dois beberam e o colega fez sexo oral nele. Mesmo depois dessas experiências, o John se casou com a Marlynn em 1964, depois de um ano e seis meses de namoro.


John Wayne Gacy e Marlynn Myers


O pai da Marlynn tinha comprado três restaurantes da franquia Kentucky Fried Chicken (KFC) na cidade de Waterloo, Iowa. Como o John Gacy tinha experiência na área administrativa, o sogro o convidou para administrar os restaurantes, e assim o casal se mudou para a antiga casa da Marlynn. Gacy era muito competente na administração dos negócios, e o casal estava ganhando um bom dinheiro. Além da parte financeira, ele também era responsável pela contratação dos funcionários.

Gacy abriu no seu porão uma espécie de "clube" com bar e sinuca para seus funcionários, porém, só permitida a entrada de homens. Quando ele ficava sozinho com algum funcionário, ele tentava dar o máximo de álcool que ele conseguia para depois fazer avanços sexuais nos rapazes. A grande maioria o rejeitava, mas ele dizia que era uma brincadeira ou um “teste de moral”.

John e Marlynn tiveram dois filhos: Michael, que nasceu em fevereiro de 1966 e Christine, que nasceu em março de 1967. O próprio Gacy descreve que esse foi um período muito bom da sua vida, porque ele estava feliz com sua família e com seus filhos. Seus pais visitaram o casal depois que Michael nasceu, e nessa visita o pai pediu desculpas pelos abusos físicos e emocionais e disse: "Filho, eu estava errado sobre você". E assim, o John teve o que ele sempre quis: a aprovação do pai.


Marion Robinson e John Wayne


Em agosto de 1967, Gacy atraiu o filho de um colega de 15 anos chamado Donald Voorhees para sua casa com a promessa de bebida e de filmes eróticos. Depois de algum tempo, Gacy convenceu o Donald a fazer sexo oral nele, dizendo que o garoto precisava ter experiências com homens antes de fazer sexo com mulheres. Donald foi só o primeiro de muitos jovens que o Gacy abusou: as vezes ele avançava nos garotos depois que eles estavam embriagados, e as vezes ele dizia que aquilo era um experimento para uma pesquisa científica e dava US$ 50 para eles.

Já estavam rolando boatos de que diversos garotos eram vistos entrando e saindo da casa de Gacy, e isso chamou a atenção dos colegas de trabalho dele. Em março de 1968, Donald contou para o pai que Gacy o havia abusado sexualmente, e ele imediatamente chamou a polícia, que prendeu o Gacy. Ele se dispôs a fazer um teste de polígrafo, com a certeza de que ele ia passar. Acontece que ele não passou, e em 10 de maio de 1968 ele foi indiciado pelo abuso.

Em 30 de agosto de 1968, Gacy convenceu um de seus funcionários a agredir Donald Voorhees para que ele não fosse testemunhar contra ele no tribunal. Ele ofereceu US$ 300 para um jovem de 18 anos chamado Russell Schroeder, que atraiu o Donald até um parque isolado e o espancou. Ele conseguiu escapar e relatou o ataque à polícia, que logo prendeu Russell. No início, Russell negou qualquer participação, mas logo ele confessou a agressão dizendo que fez isso a pedido de Gacy.

Em setembro, Gacy foi obrigado a passar por uma avaliação no Hospital Psiquiátrico da Universidade de Iowa. Ele foi examinado por dois médicos que concluíram que ele sofria de transtorno de personalidade antissocial, que era mentalmente competente para ser julgado e que ele provavelmente teria outros conflitos para viver em sociedade no futuro. No dia 7 de novembro de 1968, Gacy se declarou culpado, mas afirmou que foi Donald Voorhees que havia se oferecido para ele. O juiz não aceitou essa teoria e ele foi condenado a dez anos de prisão. No mesmo dia em que a sentença saiu, a esposa de Gacy pediu o divórcio e solicitou a casa onde eles moravam, a guarda dos filhos e uma pensão alimentícia.

Gacy foi mandando para a Penitenciária Estadual de Anamosa, e logo ele virou um preso modelo, trabalhando na cozinha, fazendo diversos cursos e supervisionando vários projetos para melhorar as condições dos presos. No Natal de 1969, o pai de Gacy morreu de cirrose hepática. Quando informado da morte de seu pai, Gacy desabou no chão, chorando e soluçando. Seu advogado pediu uma licença supervisionada para que ele pudesse comparecer ao funeral, mas isso foi negado.


Fotografia da prisão de Gacy em 1968


Depois de ter cumprido dezoito meses, Gacy recebeu liberdade condicional em 18 de junho de 1970. O juiz que concedeu a liberdade condicional deu algumas condições, que incluíam que ele se mudasse para Chicago para morar com sua mãe, e que ele não podia sair de casa depois das 22h. Ele voltou para Chicago em 19 de junho e logo arrumou um emprego como cozinheiro.

Em 12 de fevereiro de 1971, Gacy foi acusado de agredir sexualmente um adolescente: ele disse que o John o atraiu até seu carro, levou ele até sua casa e tentou fazer sexo com ele. Dessa vez o juiz rejeitou a queixa porque esse adolescente não compareceu ao tribunal. No dia 22 de junho, Gacy foi preso por uma acusação de agressão sexual agravada e conduta imprudente, isso porque outro jovem prestou queixa contra ele dizendo que Gacy se apresentou a ele como xerife, levou ele até seu carro e tentou fazer sexo oral nele. Novamente essas acusações foram retiradas, dessa vez porque ficou comprovado que o jovem pediu dinheiro para Gacy em troca de retirar as acusações.

Com a ajuda financeira de sua mãe, Gacy comprou uma casa em Norwood Park Township, que ficava na região metropolitana de Chicago. Gacy rapidamente se tornou querido na comunidade local: ele ajudava os vizinhos, emprestava ferramentas, tirava a neve das calçadas e organizava festas beneficentes. Em agosto de 1971, ele engatou um romance com a Carole Hoff, uma ex-namorada dele da época do ensino médio. Eles se casaram em 1º de julho de 1972, e a Carole e suas duas filhas de um casamento anterior se mudaram para a casa do John.


John Gacy e Carole Hoff


Nessa época, o Gacy abriu uma empresa de construção chamada PDM Contractors. Ele continuava com seu emprego de cozinheiro durante o dia, e a noite trabalhava fazendo pequenos reparos, algumas reformas, montagem de móveis, essas coisas. Ele ficou nessa dupla jornada por um tempo, até largar o emprego de cozinheiro e se dedicar totalmente ao negócio de construção. Com a sua experiência em gestão, a empresa se expandiu tanto que ele chegou a ganhar mais de US$ 200.000 por ano.

Em 3 de janeiro de 1972, depois de uma festa com a família, Gacy saiu de casa durante a noite e dirigiu até o centro da cidade para ver uma exibição de esculturas de gelo. Quando ele estava dirigindo, ele parou no Terminal Rodoviário de Chicago e conheceu um rapaz chamado Timothy McCoy, de 16 anos, que estava viajando de Michigan até a casa do seu pai em Nebraska, fazendo uma parada na cidade. Gacy convenceu ele a dar um passeio de carro pela cidade e disse que o jovem podia passar aquela noite na casa dele, que depois ele o levaria de volta a tempo de pegar o ônibus.

Segundo o próprio Gacy, quando ele acordou pela manhã ele se assustou quando viu o Timothy parado na porta do seu quarto com uma faca de cozinha na mão. Ele tentou ir para cima do garoto, que sem querer acabou cortando o antebraço dele. Os dois começaram a brigar, até que o Gacy agarrou o Timothy e disse que iria matar ele, esfaqueando o garoto diversas vezes. - Enquanto o Timothy estava caído no chão de seu quarto, o John lavou a faca no seu banheiro e foi até a cozinha. Lá ele viu que tudo tinha sido um engano: na verdade, Timothy tinha preparado um café da manhã para os dois, e apenas foi até o quarto acordar ele, sem perceber que estava com a faca na mão.

Quando viu a besteira que tinha feito, Gacy rapidamente começou a pensar em um plano para se livrar do corpo do garoto. Ele enterrou o Timothy no espaço que ficava entre o piso e a fundação da casa e cobriu o túmulo com concreto.


Timothy McCoy


Grande parte dos trabalhadores da PDM eram de estudantes do ensino médio que trabalhavam meio período ou homens jovens. Gacy frequentemente propunha sexo a seus trabalhadores em troca de vantagens na empresa como assistência financeira ou promoções. Ele também ameaça alguns desses jovens dizendo ter várias armas. Um dos funcionários relatou que certa vez Gacy disse a ele: "Você sabe como seria fácil pegar uma de minhas armas e matar você, e como seria fácil se livrar do corpo?".

Em 1974, o Gacy cometeu o seu segundo assassinato. Não há muitos detalhes do que exatamente aconteceu, o que se sabe são apenas os detalhes que o próprio Gacy falou posteriormente: segundo ele, ele levou um rapaz até sua casa, o estrangulou e colocou o corpo em armário. Depois de um tempo, ele percebeu que tinha vazado fluidos corporais da boca e nariz da vítima, e que isso deixou uma mancha enorme no seu tapete. Essa vítima infelizmente não foi identificada até hoje.

No mesmo ano, ele levou um funcionário adolescente até a Flórida, com a desculpa de ver uma propriedade que ele tinha comprado. Naquela noite, o Gacy embebedou e estuprou esse funcionário do quarto de hotel. Os dois voltaram para Chicago, e, dias depois, esse funcionário foi até a casa de Gacy e bateu nele. A esposa dele presenciou a agressão e ele disse que tinha acontecido porque ele tinha se recusado a pagar um trabalho malfeito que esse funcionário tinha feito.

Em maio de 1975, Gacy contratou um garoto de 15 anos chamado Anthony Antonucci para trabalhar com ele. Anthony acabou se machucando e pegou e precisou ficar alguns dias em casa. Gacy foi até sua casa para visitá-lo e levou uma garrafa de vinho. Os dois beberam e viram um filme erótico, até que, do nada, Gacy começou a atacar o Anthony e prendeu as mãos dele atrás das costas com um par de algemas. Uma algema estava solta e Anthony conseguiu soltar um dos seus braços e lutou contra Gacy. Nessa hora o Gacy o ameaçou, mas depois se acalmou e prometeu que iria embora.


Anthony Antonucci em entrevista para o documentário "John Wayne Gacy: Devil in Disguise"


No dia 30 de julho de 1975, John Butkovich, um funcionário da PDM de 18 anos, foi até a casa do John Gacy para cobrar seu pagamento, que estava atrasado em duas semanas. No outro dia o jovem foi dado como desaparecido pelo pai, e o carro dele foi encontrado com seus pertences dentro e as chaves ainda na ignição. Gacy foi questionado pela polícia, e disse que na noite anterior, Butkovich, junto com mais dois homens, foram até sua casa conversar sobre o pagamento atrasado, eles chegaram em um acordo e eles foram embora.

A polícia acabou não dando muita importância para o caso, que foi logo arquivado, porém, durante os três anos seguintes, os pais do John Butkovich ligaram mais de 100 vezes para a polícia, pedindo para investigar Gacy, mas nada foi feito.

O que aconteceu naquele dia: Butkovich foi até o carro de Gacy e disse que precisava falar com ele. Gacy então convidou ele para ir até sua casa para resolver a questão dos salários atrasados. Lá ele ofereceu uma bebida a ele, e depois que ele baixou a guarda, disse que faria um truque de mágica: ele convenceu o garoto a deixar ele algemá-lo. Depois disso, ele jogou o Butkovich no chão e começou a estrangulá-lo. - Gacy guardou o corpo dele na garagem com a intenção de enterrar mais tarde, só que a esposa dele voltou para casa mais cedo naquele dia. Quando ela foi dormir, ele enterrou o corpo em um buraco que ele tinha cavado para uma reforma na sua sala de ferramentas.


John Butkovich


Enquanto estava participando de uma reunião de um clube local, Gacy ficou sabendo que havia um grupo de palhaços que se se apresentava em eventos de arrecadação de fundos para caridade e em hospitais infantis. Ele ficou interessado e decidiu se juntar a eles no final de 1975, criando o Palhaço Pogo.

Nesse mesmo ano o Gacy contou para a esposa que ele era bissexual, e isso impactou bastante na vida sexual do casal: depois de terem uma relação sexual no Dia das Mães, ela disse que aquela seria "a última vez". Depois disso, John começou a passar a maioria das noites fora de casa, com a desculpa de que estava trabalhando até tarde, porém, Carole viu mais de uma vez ele trazendo adolescentes para a garagem durante a madrugada, além de encontrar filmes pornô gay entre as suas coisas. Quando ela pediu uma explicação, ele ficou com raiva e disse que não era da conta dela.

Depois desse dia, os dois começaram a discutir sem parar, por qualquer motivo. A gota d’água foi quando Carole preencheu incorretamente um cheque, o John gritou com ela e ela decidiu pedir o divórcio a Gacy. Ela continuou morando com as filhas na casa dele até fevereiro de 1976, quando elas se mudaram para um apartamento.


O palhaço Pogo


Em 26 de julho de 1976, Gacy deu carona para um jovem de 18 anos chamado David Cram. Além da carona, Gacy ofereceu um emprego na PDM e moradia na casa dele. No dia 22 de agosto, Gacy fez sua velha tática de dar bebidas para ele, mas dessa vez ele estava vestido como o palhaço Pogo. - Primeiro ele algemou David, que achou que era uma brincadeira, depois girou, colocou os braços dele para trás e disse que ia estuprá-lo. David começou a se debater, chutou o John Gacy no rosto e se libertou das algemas. Alguns dias depois ele se mudou e pediu demissão da PDM.

Pouco tempo depois, o Gacy colocou outro funcionário para morar na casa dele, um jovem de 18 anos chamado Michael Rossi. O Gacy nunca tentou se aproximar do Michael, e talvez por isso ele até ajudava o Gacy se vestindo de palhaço e indo com ele em festas e inaugurações.


Michael Rossi


Dentre 76 até 78, Gacy cometeu um assassinato atrás do outro, seguindo seu modus operandi: ele saía de carro pelas ruas de Chicago procurando por adolescentes, oferecia trabalho e pedia para que eles o acompanhassem até em casa. Lá, ele baixava a guarda deles com bebidas, algemava, estuprava e torturava. Na maioria das vítimas ele colocou um torniquete em volta do pescoço da vítima, e sufocou os jovens até a morte. As vezes ele usava um distintivo falso e se apresentava como policial, obrigando os jovens a entrar no seu carro dizendo que levaria eles até a delegacia. Em poucos casos ele era mais violento, sequestrava a pessoa e mantinha ela na mira de uma arma.

Um mês depois do seu divórcio, Gacy assassinou Darrell Samson, de 18 anos. Ele foi visto pela última vez em 6 de abril de 1976, no centro de Chicago. Gacy matou e enterrou ele sob a sala de jantar. Ele fez duas novas vítimas em 14 de maio: um menino de 15 anos chamado Randall Reffett, que desapareceu enquanto voltava para casa em Uptown, e Samuel Stapleton, de 14 anos, que desapareceu enquanto voltava para casa depois de visitar a sua irmã. Por coincidência, Samuel e Randall eram amigos, e ambos foram enterrados juntos.

No dia 3 de junho, Gacy matou um adolescente de 17 anos chamado Michael Bonnin. Michael desapareceu enquanto viajava de Chicago para Waukegan, e foi abordado na Rodoviária, assim como Timothy McCoy. No dia 13 de junho, ele assassinou William Carroll, de 16 anos, e enterrou ele junto com as outras vítimas, em uma vala comum que ele tinha feito. Entre o dia 13 de junho e 4 de agosto ele matou mais 3 pessoas, que nunca foram identificadas. Em 5 de agosto, ele matou James Haakenson, de 16 anos. James foi atraído até a casa de Gacy, e lá ele fez uma ligação para a família dele no Minnesota antes de ser assassinado. Um dia depois ele matou o Rick Johnston, de 17 anos. Aqui existe um gap de tempo, em que as autoridades acreditam que ele tenha matado mais dois homens entre agosto e outubro, mais duas vítimas que seguem sem identificação até hoje.

Em 24 de outubro, Gacy deu carona para os amigos Kenneth Parker e Michael Marino, que foram vistos pela última vez do lado de fora de um restaurante na Clark Street, perto do lago Michigan. Dois dias depois, ele matou um trabalhador da construção civil de 19 anos chamado William Bundy. O corpo dele foi enterrado embaixo do seu quarto. Entre novembro e dezembro de 1976, Gacy assassinou um jovem de 21 anos chamado Francis Alexander. Ele fez seu último contato com a família em novembro. Em dezembro, ele assassinou outro funcionário da PDM, Gregory Godzik, que tinha 17 anos. Quem relatou seu desaparecimento foi a sua namorada, e seu carro foi encontrado abandonado. A família dele entrou em contato com o John Gacy sobre o desaparecimento do Gregory, mas ele apenas disse que o jovem tinha fugido de casa, e que tinha recebido uma mensagem dele na sua secretária eletrônica. A família pediu para ouvir essa mensagem, mas ele informou que tinha apagado.


Gregory Godzik


No dia 20 de janeiro de 1977, Gacy atraiu um jovem de 19 anos chamado John Szyc para sua casa, com o pretexto de comprar seu o seu carro. Depois de matar John, ele vendeu o seu carro para o Michael Rossi, aquele que se vestia de palhaço com ele. Dois meses depois a vítima foi Jon Prestidge, de 20 anos, que desapareceu depois de sair de um restaurante. Acontece que ele, antes de desaparecer, tinha dito para alguns amigos que havia conseguido trabalho em uma empreiteira local, e essa informação vai ser importante no futuro. Depois da morte do John Szyc, ocorreu o assassinato de mais uma vítima que não foi identificada. Em 5 de julho, Gacy matou um jovem de 19 anos chamado Matthew Bowman. Quem relatou o desaparecimento dele foi a mãe dele, que o viu pela última vez em uma estação de trem.

Um mês depois, Michael Rossi foi pego roubando gasolina de um posto enquanto dirigia o carro do John Szyc. O atendente do local anotou a placa e a polícia rastreou o carro até a casa que o Michael dividia com o Gacy. Ele foi questionado, mas disse aos policiais que sabia apenas que ele tinha comprado o carro de um jovem, e ficou por isso mesmo.

Em setembro de 1977, Gacy assassinou o Robert Gilroy, de 18 anos, que morava a apenas quatro quarteirões da casa de Gacy. Esse caso chamou certa atenção porque Robert era filho de um sargento da polícia de Chicago. Apesar das buscas, ele não foi encontrado. No dia 22 de setembro, Gacy matou John Mowery, de 19 anos. John tinha servido na marinha dos Estados Unidos e desapareceu quando estava voltando da casa da sua mãe. No dia 17 de outubro, mais uma vítima: Russell Nelson, de 21 anos, visto pela última vez saindo de um bar no centro de Chicago. Gacy atraiu ele com a promessa de emprego, matou e enterrou em uma das valas que ele tinha aberto. Posteriormente ele matou um adolescente de 16 anos chamado Robert Winch e um jovem de 20 anos chamado Tommy Boling. Três semanas depois, em 9 de dezembro, ele matou David Talsma, de 19 anos. David havia dito a sua mãe que iria a um show em Hammond, Indiana.


As vítimas de John Wayne Gacy


Em 30 de dezembro, Gacy sequestrou Robert Donnelly, um estudante de 19 anos que estava em um ponto de ônibus. Gacy foi muito violento com ele, estuprando e torturando, incluindo mergulhar a cabeça dele em uma banheira até ele desmaiar. Robert estava com tanta dor que pediu para Gacy matar ele de uma vez, mas não foi isso que ele fez: depois de horas de tortura, ele levou Robert ao lugar que ele trabalhava e o soltou, mas avisou que haveria consequências se ele contasse a polícia.

Robert não ficou intimidado e denunciou a agressão. A polícia questionou Gacy em janeiro de 1978, e ele disse que os dois tiveram um relacionamento sexual violento, mas consentido, e que o Robert só tinha denunciado porque ele não tinha dado um dinheiro que havia prometido para ele. Por incrível que pareça, a polícia acreditou nele e arquivou a acusação. Novamente livre, Gacy matou William Kindred, de 19 anos, um mês depois. William desapareceu depois de dizer para sua noiva que iria até um bar.

Em 21 de março, Gacy atraiu Jeffrey Rignall, de 26 anos, para seu carro e desacordou ele com clorofórmio. Ele levou Jeffrey para sua casa, amarrou ele em uma espécie de pelourinho que ficava no seu teto, estuprou e torturou ele de diversas formas. Quando o garoto estava inconsciente de novo, ele o levou até o Lincoln Park e deixou ele lá. Jeffrey acordou e conseguiu ir até o apartamento da namorada dele, e eles chamaram a polícia. A polícia não conseguiu fazer muita coisa logo de cara, porque Jeffrey não lembrava de muita coisa daquela noite, mas ele deu uma pista importante: ele reconheceu o carro de Gacy, que era um Oldsmobile preto, além de se lembrar de algumas ruas próximas do local que ele foi levado.

Jeffrey e mais dois amigos foram andando pelas ruas que ele se lembrava na tentativa de encontrar alguma pista, até que eles viram o carro de Gacy e seguiram até a casa dele, que ficava na West Summerdale. Eles informaram isso para a polícia, que foi até o local e prendeu o Gacy no dia 15 de julho. Ele foi julgado por agressão, mas logo foi solto.


Jeffrey Rignall sobreviveu aos ataques


Gacy tinha matado tanta gente que não havia mais espaço para colocar corpos em sua casa, então ele optou por se livrar de algumas vítimas jogando elas de uma ponte no rio Des Plaines. Ele disse que jogou 5 corpos no rio, mas só 3 foram encontrados: Timothy O'Rourke, de 20 anos; Frank Landingin, de 19 anos; e James Mazzara, de 20 anos. Frank e o James eram trabalhadores da PDM.

No dia 11 de dezembro de 1978, Gacy foi até uma farmácia para discutir uma reforma com o dono da loja, e lá ele conheceu um funcionário de 15 anos chamado Robert Piest. Gacy mencionou para ele que a sua empresa contratava adolescentes para trabalhos de meio-período, com um salário de US$ 5 por hora, quase o dobro do que Piest ganhava na farmácia. Ele disse que voltaria mais tarde ao local para ouvir a resposta do garoto.

No fim do turno do Robert, a mãe dele foi buscar ele na farmácia. Ele pediu para que sua mãe esperasse, avisando que um empreiteiro tinha ido oferecido um trabalho para ele. Ele saiu da loja às 21h e prometeu que já voltaria. Gacy levou o Robert até sua casa. No meio da conversa sobre o emprego, Gacy perguntou para o Robert: “tem algo que você não faria pelo preço certo?", e o adolescente respondeu que não, que ele não se importava de ter que pegar pesado no trabalho. Gacy então disse que ele podia ganhar um bom dinheiro de forma rápida, se ele fosse esperto. Ele então usou o truque das algemas para enganar o Robert e disse que iria estuprar ele. O garoto estava muito assustado e não parou de chorar em nenhum momento. Gacy ficou tão incomodado com isso que matou o garoto rapidamente.


Robert Piest, a última vítima de Gacy


Quando Robert não voltou naquela noite, seus pais foram até a polícia para informar seu desaparecimento. A mãe contou ao dono da farmácia que o garoto tinha dito que veria um emprego com um empreiteiro, e o dono disse que esse empreiteiro provavelmente era o John Gacy. O policial Joseph Kozenczak decidiu investigar o caso, porque o filho dele conhecia e frequentava a mesma escola que o Robert. Alguns policiais queriam arquivar o caso dizendo que o garoto tinha fugido, mas Joseph conversou com a mãe do Robert e se convenceu de que esse caso era diferente. Ele verificou os antecedentes criminais e viu que ele tinha acusações de agressão e que tinha sido preso em Iowa pelo assédio contra o Donald Voorhees.

Joseph Kozenczak e mais dois policiais foram até a casa do Gacy perguntar sobre o Robert Piest: ele disse que conversou rapidamente com o Robert sobre a reforma da loja, mas que não tinha oferecido um emprego a ele. Ele também disse que iria até a delegacia no dia seguinte, mas que naquele momento não podia porque seu tio havia falecido. Naquela noite, Gacy chegou na delegacia coberto de lama, alegando que tinha se envolvido em um acidente de carro. Ele negou qualquer envolvimento no desaparecimento do Robert ou que tinha oferecido um emprego para ele. Os policiais perguntaram por que ele tinha voltado para a farmácia naquela noite, ele respondeu que tinha esquecido sua agenda na loja. Os detetives falaram com o dono da farmácia, e ele disse que não tinha ligado para o Gacy.

A suspeita da polícia era de que o Gacy tinha sequestrado Robert Piest e estava mantendo ele na sua casa. Eles obtiveram um mandato para revistar a casa dele no dia 13 de dezembro. Em uma primeira busca, a polícia encontrou várias coisas suspeitas como seringas, agulhas, algemas, cápsulas de nitrito de amila, vibradores gigantes, remédios como Valium e Atropina, várias carteiras de motorista e roupas pequenas demais para o Gacy, que era um homem grande. Uma das pistas mais importantes foi um anel de classe de 1975 da Maine West High School com as iniciais JAS. Esse anel pertencia ao John Szyc, uma das vítimas.

A polícia levou o carro particular e os outros carros que o Gacy usava na PDM para a perícia, além de colocar equipes de vigilância para monitorá-lo. No dia seguinte, os investigadores receberam um telefonema do Michael Rossi, aquele amigo do Gacy que chegou a morar com ele. Ele já estava desconfiando do Gacy, e contou para os investigadores que algo tinha acontecido com dois funcionários da PDM: o Gregory Godzik estava desaparecido e o Charles Hattula tinha sido encontrado morto em um rio.

Os investigadores entrevistaram o Jeffrey Rignall, que contou de novo tudo que ele tinha passado com o Gacy naquela noite, do sequestro, do estupro e da tortura, até ele ser deixado no parque. Eles também conversaram com a ex-esposa de Gacy, a Carole, que contou sobre o desaparecimento de John Butkovich, aquele jovem que foi até a casa deles cobrar o seu pagamento.

Gacy sabia que estava em maus lençóis, e começou a tentar barganhar com os detetives: ele sempre respondia quando era chamado, convidava eles para almoçar ou para ir em bares caros, contando sobre seu trabalho voluntário de palhaço, e de como sua empresa ajudava jovens a conseguir um primeiro emprego. Ao mesmo tempo, ele acusava a polícia de assédio, dizendo que eles só estavam no seu pé por causa de suas posições políticas, porque ele fazia uso recreativo de drogas e porque ele era bissexual.

No dia 17 de dezembro, os investigadores conduziram uma entrevista formal com Michael Rossi: segundo ele, Gacy havia dito que comprou o carro do John Szyc porque o garoto precisava de dinheiro para se mudar para a Califórnia. A perícia no carro de Gacy encontrou algumas fibras que eles acreditavam ser cabelo humano no porta-malas do carro. Também foi feito um teste com cães farejadores nos carros de Gacy, e um dos cães apontou que Robert esteve no banco do passageiro do Oldsmobile.

A polícia continuava vigiando o Gacy, e reparou que ele parecia cada vez mais cansado, não fazia mais a barba e estava sempre bebendo. No dia 18 de dezembro, o Gacy foi até o escritório de seus advogados e pediu uma ação de US$ 750.000 contra a polícia e que eles parassem de vigiá-lo. Na mesma noite, Michael Rossi foi entrevistado pela segunda vez, e contou que no verão de 1977, Gacy comprou dez sacos de cal, que estavam no forro da sua casa. A polícia também ouviu David Cram, que ainda trabalhava para a PDM. David informou os investigadores das tentativas de Gacy de estuprá-lo em 1976.


David Cram


Na noite de 20 de dezembro, Gacy foi até o escritório de seus advogados para discutir o andamento do processo que ele tinha aberto contra a polícia. Um dos advogados, Sam Amirante, contou que Gacy estava sujo e malvestido, e que a primeira coisa que ele fez foi pedir uma bebida alcoólica. Gacy então pegou um exemplar do jornal Daily Herald da mesa de Amirante, apontou para uma matéria sobre o desaparecimento de Robert Piest e disse: "Esse menino está morto. Ele está morto. Ele está em um rio". Depois disso, começou a dizer várias coisas desconexas, mas no meio disso, uma frase chamou a atenção do advogado. Gacy disse que tinha sido "juiz, júri e executor de muitas, muitas pessoas", e que agora queria morrer. Foi então que ele começou a confessar os assassinatos, dizendo que tinha enterrado a maioria de suas vítimas sob o assoalho de sua casa, e que tinha descartado cinco corpos no rio Des Plaines.

Gacy tinha bebido tanto que ele dormiu no meio dessa confissão. Preocupado com o estado do seu cliente, Sam Amirante marcou uma consulta com um psiquiatra no mesmo dia, mas ele se recusou a ir e disse que precisava resolver algumas coisas. Ele saiu do escritório e dirigiu até um posto de gasolina. Enquanto abastecia o carro, ele entregou um pacote com maconha ao atendente, além de dizer que o fim estava chegando. Ele então foi até a casa de um colega chamado Ronald Rhode. Lá ele chorou muito e confessou seus crimes novamente, dizendo que tinha matado mais ou menos 30 pessoas. Ele também confessou os crimes para o Michael Rossi e para o David Cram. Depois, ele pediu para o David levar ele até o Cemitério Maryhill, onde seu pai estava enterrado.

Os detetives que vigiavam Gacy disseram para a polícia que era possível que ele estava se preparando para cometer suicídio, e por causa disso a polícia decidiu prendê-lo sob a acusação de posse e distribuição de maconha, isso apenas para mantê-lo sob custódia enquanto um segundo mandato de busca não saía.



Quando esse mandato saiu, os policiais informaram para Gacy que iriam procurar pelo Robert Piest, porque desconfiavam que ele estava enterrado sob o seu assoalho. Gacy negou que o adolescente estava lá, mas disse que havia o corpo de uma outra pessoa, que ele tinha matado em legítima defesa. Quando eles chegaram na casa com o mandato, viram que a região embaixo do piso estava alagada, isso porque o Gacy, antes de ser preso, desconectou uma bomba de água na tentativa de retardar as buscas.

Assim que a água escoou, um técnico de evidências chamado Daniel Genty entrou no espaço do piso, uma área embaixo da casa que tinha 8,5 m × 11,6 m e começou a cavar, na esperança de encontrar o corpo do Robert. Não demorou muito e ele encontrou não um, mais vários corpos em decomposição.


A equipe técnica retirando os restos mortais de uma das vítimas


Gacy foi informado dos achados na sua casa, e ele forneceu uma declaração formal na qual confessou ter assassinado cerca de 30 jovens do sexo masculino. Ele disse que não sabia o nome deles, apenas que eles eram fugitivos ou garotos de programa. Quando foi questionado onde estava o Robert Piest, Gacy confessou que atraiu ele até sua casa na noite de 11 de dezembro, e depois o matou sufocado. Depois disso, ele dormiu ao lado do cadáver e descartou o corpo no rio Des Plaines.

No total, foram recuperados 33 corpos da casa de Gacy. O médico legista do condado de Cook, o Dr. Robert Stein, supervisionou as exumações, onde cada corpo recuperado foi ensacado e levado para o necrotério. Os corpos estavam tão decompostos que em nenhum deles pode ser determinada a causa da morte, mas uma mordaça e torniquetes encontrados nas vítimas levou os investigadores a concluir eles que provavelmente tinham sido asfixiados ou estrangulados. Um dos corpos foi encontrado sob uma camada de concreto, com várias facadas nas costelas e no esterno, sugerindo que ele foi a primeira vítima, o Timothy McCoy.

Alguns dos corpos também tinham sacos plásticos em volta do crânio, cordas do pescoço e objetos na região pélvica, o que significava que eles tinham sido violentados antes de morrer. 23 vítimas foram identificadas por meio de registros odontológicos, e duas com cópias de raio-X por traumas esqueléticos anteriores. Além disso, havia diversos objetos pessoais das vítimas que ajudaram na identificação. Além das vítimas do rio que já tinham sido encontradas, foi encontrado o corpo em decomposição do Robert Piest, a última vítima.


Marcação de onde estavam enterrados os corpos na casa de Gacy


John Gacy foi levado a julgamento no dia 6 de fevereiro de 1980, acusado de 33 assassinatos. Ele foi julgado no Condado de Cook, Illinois, perante o juiz Louis Garippo. O júri foi selecionado de outros locais por causa da cobertura extensa da imprensa. A pedido de seu advogado de defesa, Gacy passou mais de trezentas horas no Menard Correctional Center, sendo avaliado por um grupo de psiquiátricas para determinar se ele era mentalmente apto para ser julgado. Para os médicos, o Gacy disse que tinha transtorno de personalidade múltipla, e que haviam 4 personalidades nele: o empreiteiro trabalhador, o palhaço divertido, o político e um policial chamado Jack Hanley, que ele se referia como Bad Jack (Jack Mau). Segundo ele, era Jack que cometia os crimes porque odiava homossexuais e considerava aqueles garotos de programa como uma escória.

Essa tese das personalidades foi o que a defesa usou para alegar insanidade por parte de Gacy, e que foi corroborada por 3 especialistas no julgamento, que diagnosticaram ele com esquizofrenia paranoide e múltiplas personalidades. Os promotores, ao contrário, chamaram diversas testemunhas que falaram sobre a premeditação das ações de Gacy, e os esforços dele para esconder os copos, inclusive alguns médicos que refutaram a tese das múltiplas personalidades.

David Cram e Michael Rossi foram testemunhas de acusação e contaram que Gacy pediu diversas vezes para eles abrirem valas e espalharem cal debaixo do assoalho. Enquanto realizavam esse trabalho, Gacy ficava supervisionando para garantir que eles não fossem além dos locais marcados. Em 18 de fevereiro, o Dr. Robert Stein testemunhou sobre os corpos encontrados, concluindo que 13 vítimas morreram de asfixia, 6 de estrangulamento, uma de múltiplas facadas no peito e 10 de forma indeterminada. Essa informação ia contra a tese da defesa, que dizia que todas as vítimas de Gacy foram asfixiadas de forma acidental durante o sexo.

Os sobreviventes foram chamados para depor em seguida: em 21 de fevereiro, a defesa chamou o Jeffrey Rignall para falar sobre tortura e o estupro que ele havia sofrido. Ele chorou muito durante todo seu depoimento e disse que acreditava que aquele homem era incapaz de se controlar. Ele chegou a vomitar quando foi perguntado sobre as torturas que sofreu e foi dispensado de dar mais depoimentos. Donald Voorhees foi chamado para depor em 29 de fevereiro sobre sua agressão em 1967, mas ele não conseguiu testemunhar de tão abalado que ele estava. Por fim, o Robert Donnelly testemunhou sobre seu estupro em dezembro de 1977. Ele também estava muito nervoso e angustiado e quase desmaiou diversas vezes.

Durante a quinta semana do julgamento, John Gacy escreveu uma carta ao juiz Louis Garippo solicitando a anulação do julgamento por causa de conflitos com seus advogados. Ele disse que não concordava com a insanidade, que seus advogados não o deixavam testemunhar e que eles não haviam chamado médicos o suficiente. O juiz informou Gacy de que não foi negado, em nenhum momento, que seus advogados pudessem convocar novos peritos a depor, e que ele era livre para depor.

Em 11 de março começaram as alegações finais da promotoria e da defesa. A acusação, representado pelo promotor Terry Sullivan, focou nos crimes hediondos que Gacy tinha cometido e dos esforços dele para fugir da polícia. Além disso, os sobreviventes foram lembrados como tendo profundas marcas físicas e mentais dos abusos. Sullivan afirmou: "John Gacy foi responsável por mais devastação humana do que muitas catástrofes terrenas", e pediu a pena de morte.

O advogado de defesa Sam Amirante disse que os depoimentos dos médicos da acusação estavam incorretos, e acusou Sullivan de não se referir às provas apresentadas ao longo do julgamento, convicto de que Gacy era culpado e a fim de despertar ódio contra seu cliente. Para ele, Gacy era "homem movido por compulsões que ele era incapaz de controlar", alegando que os depoimentos de Jeffrey Rignall e de um ex-sócio de Gacy's corroboraram com a alegação de insanidade. Para ele, Gacy era um perigo para si mesmo e para os outros, e que estudar sua psicologia e comportamento era mais benéfico do que sua morte.

O júri deliberou por menos de duas horas e considerou Gacy culpado de 33 acusações de assassinato, além de agressão sexual e comportamento indecentes com o Robert Piest. A sentença foi a pena de morte e a execução foi marcada para 2 de junho de 1980.


"Gacy sentenciado a morte" - Manchete do Chicago Tribune


Gacy foi transferido para o Menard Correctional Center. Lá ele afirmou que tinha cometido “apenas” cinco assassinatos, e que o restante foi cometido por seus funcionários enquanto ele não estava em casa. Enquanto estava preso, ele leu vários livros de direito e apresentou várias apelações da pena e recursos juntamente com seus advogados. Embora nenhum tenha sido aceito, os tramites legais atrasaram a execução em 14 anos. A data só foi marcada quando a Suprema Corte dos Estados Unidos negou o recurso final de Gacy, e a Suprema Corte de Illinois marcou a execução para o dia 10 de maio de 1994.

Na manhã de 9 de maio de 1994, John Gacy foi transferido do Centro Correcional Menard para o Centro Correcional Stateville em Crest Hill, para ser executado. Para sua última refeição, ele escolheu batatas fritas, um balde de frango do KFC, camarões fritos, morangos frescos e uma coca diet. Ele foi morto por injeção letal naquela noite. Mais de 1.000 se reuniram do lado de fora do centro correcional, a grande maioria a favor da execução.

De acordo com relatórios publicados, Gacy era um psicopata que não expressou nenhum remorso por seus crimes. Antes de morrer ele disse para seus advogados que sua execução não compensaria a perda de outros, e que o estado o estava assassinando. Suas últimas palavras foram "Kiss my ass". Depois que a sua morte foi confirmada, seu cérebro foi removido para estudo e está na posse de Helen Morrison, uma das testemunhas de defesa e que entrevistou Gacy e outros assassinos em série. Ela acreditava que era possível isolar traços de personalidade comuns de sociopatas violentos.


Manifestantes apoiando a execução de John Wayne Gacy


Em outubro de 2011, Thomas Dart, o xerife do condado de Cook, anunciou que as investigações sobre as vítimas não identificadas do John Gacy seriam retomadas. Eles obtiveram perfis de DNA de cada uma das vítimas não identificadas e começaram a tentar identificá-las com amostras de DNA de indivíduos que desapareceram entre 1970 e 1979.

Em novembro de 2011, uma das vítimas foi identificada como William Bundy. A família dele até tentou elencar ele como um dos corpos na época, mas o dentista que atendia William não tinha mais os seus registros dentários. Em julho de 2017, foi identificado mais uma vítima, James Haakenson, de 16 anos. A vítima mais recente a ser identificada foi o Francis Wayne Alexander, de 21 anos, em outubro de 2021. No seu caso, foi utilizada genealogia forense, quando o DNA é comparado com árvores genealógicas de perfis de bancos de dados. Na época que o Francis desapareceu, sua família não prestou queixa porque acreditava que ele havia se mudado de Chicago para a Califórnia. Outras cinco vítimas permanecem não identificadas até hoje.


Francis Wayne Alexander


Apesar das 33 vítimas reconhecidas, alguns acreditam que o número total pode chegar a 45, com o restante tendo sido jogadas no rio Des Plaines. Uma dessas possíveis vítimas é Charles Antonio Hattula, de 25 anos, que foi encontrado afogado no Rio Pecatonica perto de Freeport, em maio de 1978. Ele entrou como possível vítima depois que o Michael Rossi informou aos investigadores que ele era funcionário da PDM.

Segundo ele, Charles tinha vários conflitos com Gacy, e foi o próprio que informou aos funcionários que ele tinha se afogado. Se a cronologia dos crimes estava correta, quando o Charles morreu, Gacy não estava mais enterrando corpos na sua casa, e sim descartando eles no rio. No entanto, as autoridades entraram em contato com a polícia de Freeport e foram informados que a morte do Charles foi por afogamento, quando ele caiu da ponte. Se a morte de Charles foi homicídio, suicídio ou acidente, jamais saberemos.



Foram feitos muitos filmes e séries documentais sobre o caso do John Gacy. Dois são mais conhecidos e valem a pena: o primeiro é a minissérie “To Catch a Killer”, de 1972, que mostra a investigação do caso após o desaparecimento do Robert Piest. Contava com alguns atores bem famosos como o Brian Dennehy e a Margot Kidder. O outro filme interessante é “Dear Mr. Gacy”, lançado em 2010 e estrelado por William Forsythe e pelo Jesse Moss. O filme é baseado no livro The Last Victim, escrito pelo autor Jason Moss (que tem quase o mesmo nome do ator que interpretou ele). Jason trocou correspondência não só com o John Wayne Gacy, mas também com o Richard Ramirez, Henry Lee Lucas, Jeffrey Dahmer e o Charles Manson e escreveu um livro sobre essas cartas.


Os pôsteres de “To Catch a Killer” e “Dear Mr. Gacy”


Talvez um dos maiores legados que John Gacy deixou foi o estereótipo do palhaço assassino: apesar de nunca ficar comprovado que Gacy se vestiu como o Palhaço Pogo em nenhum de seus assassinatos, ele acabou ganhando esse apelido. A imagem de um ser que, ao invés de estar levando alegria, está cometendo assassinatos é tão macabra que inspirou dois dos mais assustadores palhaços da ficção: Pennywise, o vilão de It – A Coisa, e o palhaço Twisty da 4ª temporada de American Horror Story.


Pennywise e Twisty


• FONTES: Refinery29, Aventuras na História, Britannica, RollingStone, TheFamousPeople, Practical Psychology, The Criminological Dissection of Pogo the Clown, BBC, Chicago Tribune, The Independent.

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