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  • Foto do escritorRodolfo Brenner

#19 - Cynthia Anderson | DESAPARECIDOS

Vocês acreditam em premonição? Acha que é possível prever o futuro através dos sonhos? Em 1981, uma secretária teve diversos pesadelos em que era sequestrada por um homem desconhecido. Algum tempo depois, ela desapareceu sem deixar nenhum vestígio, e quanto mais a polícia investiga, mais coisas estranhas eram encontradas.


Essa é a versão escrita do episódio #19 - Cynthia Anderson:



Cynthia Jane Anderson nasceu no dia 4 de fevereiro de 1961, em uma família cristã e muito tradicional. Ela era filha de Michael e Margaret Anderson, e ela tinha dois irmãos e uma irmã. Cynthia teve uma criação fundamentalista e religiosa, tanto que sua vida era basicamente frequentar eventos da igreja, desde os cultos até acampamentos cristãos. Seu pai a descrevia como uma garota quieta e obediente. Ela era considerada bonita e sempre estava bem arrumada.

Na época do caso, Cynthia tinha 20 anos de idade e trabalhava como secretária em um escritório de advocacia que ficava em um prédio comercial na East Manhattan Boulevard, no centro da cidade de Toledo, em Ohio. Apesar de ser considerada uma ótima funcionária e de seus chefes gostarem muito dela, ela iria pedir demissão dentro de duas semanas porque queria frequentar uma faculdade bíblica com seu namorado, que frequentava a mesma igreja que ela.

Uma faculdade bíblica é uma instituição de ensino cristão de nível superior, que oferece formação em teologia e estudos bíblicos, além de treinamento para quem tem interesse em se tornar pastor, missionário e até cantor de música gospel.


A família Anderson


Durante o ano de 1980 e 1981, Cynthia tinha um pesadelo constante: nos seus sonhos, um homem entrava no seu local de trabalho, a sequestrava e a matava em seguida. Sua irmã Christine disse que, certa vez, escutou Cynthia chorando enquanto contava sobre os pesadelos para a mãe delas.

E não era só em casa que as coisas começaram a ficar estranhas: Cynthia chegou para trabalhar e se deparou com uma pichação em uma parede que ficava do outro lado da rua, bem em frente a sua janela. Lá estava escrito em letras grandes “I LOVE CINDY BY GW” (EU AMO CINDY POR GW). Cindy era o apelido de Cynthia, e colegas do trabalho disseram que ela era a única Cindy que trabalhava por ali. Ao ser questionada sobre a declaração, ela disse que não fazia ideia de quem era GW. A pichação foi coberta depois de 6 meses, porém, algumas semanas depois, alguém escreveu novamente, em letras ainda maiores.


Reprodução da pichação no programa "Unsolved Mysteries"


Algumas pessoas relataram que, quando estava na empresa, Cynthia recebia ligações anônimas de telefone, embora o conteúdo dessas ligações nunca ficou conhecido. Um cliente da empresa chamado Larry Mullins disse que presenciou mais de uma vez o telefone tocar, ela atender e rapidamente desligar, e que a expressão dela era a de alguém que estava com muito medo. Larry perguntou se ela estava bem e ela disse que não precisava se preocupar, mas que aquilo estava acontecendo a algum tempo.

O clima estava pesado no escritório, tanto que seus chefes, os advogados James Rabbit e Jay Feldstein, instruíram ela a deixar as portas sempre trancadas e mandaram instalar um botão de pânico na sua mesa. Se ela apertasse, os comércios vizinhos ficariam sabendo que tinha algo errado acontecendo.


Larry Mullins em entrevista ao programa "Unsolved Mysteries"


No dia 4 de agosto de 1981, Cynthia saiu de casa para trabalhar por volta das 8h30. Ela era a primeira a chegar e geralmente ficava sozinha no local até a hora do almoço, quando outras pessoas chegavam. Naquele dia, uma testemunha disse que viu ela trabalhando por volta das 9h45, e aparentemente essa foi a última vez que ela foi vista.

Por volta do meio-dia, os advogados chegaram no escritório e encontraram as luzes acesas e o rádio ligado, porém não havia nenhum sinal de Cynthia. Também não havia sinais de luta ou de arrombamento, o que era estranho já que a porta estava trancada com as chaves. As vezes era normal que Cynthia saísse para resolver alguma questão, e quando ela fazia isso sempre deixava o telefone no modo de espera, mas isso não foi feito naquele dia. O telefone foi checado, e a última ligação atendida foi um pouco antes das 10h.

Assim que eles perceberam que havia algo errado, os advogados chamaram a polícia, que rapidamente começou a investigar o caso. Foi feito um cartaz de desaparecida com as informações sobre ela: 1,75m de altura, 55kg, branca, cabelos e olhos castanhos. Ela tinha duas cicatrizes que poderiam ajudar a identificá-la, uma no joelho e outra na testa. Quando desapareceu, ela estava usando um vestido com detalhes em vermelho, sandálias, um anel de safira e um relógio de ouro.

O carro de Cynthia ainda estava no estacionamento, e as únicas coisas que sumiram, além dela, foram sua bolsa e suas chaves. A coisa mais estranha é que, na mesa dela, havia um livro aberto: ela estava aparentemente lendo quando desapareceu, e a história mencionava justamente uma mulher sendo sequestrada.


Cartaz de desaparecimento de Cynthia Anderson


Pouca coisa da investigação foi liberada para o público, mas do que se sabe, não havia nenhuma impressão digital deixada no local. Os advogados disseram que, quando entraram no local no dia do desaparecimento, sentiram um cheiro forte de esmalte ou acetona. Até foi levantada a hipótese de que seria algum liquido usado para desacordá-la, mas não tinha como comprovar isso.

A polícia conseguiu localizar o homem que teria escrito os dois grafites “I LOVE CINDY”. Ele nunca teve seu nome divulgado, apenas disse que o grafite era para outra Cynthia, e por causa disso ele nunca foi acusado ou preso. Um homem que fazia a manutenção do prédio comercial, cuja iniciais do nome eram GW, chegou a ser considerado suspeito, já que ele tinha as chaves das salas do prédio, porém logo foi liberado.

Poucos dias depois, a polícia recebeu a ligação de uma mulher falando muito baixo, dizendo que gostaria de fazer uma denúncia anônima: ela contou que Cynthia Anderson estava sendo mantida refém no porão por um homem, e identificou o local como sendo uma casa branca que ficava ao lado de outro imóvel que pertenciam à mesma família. A polícia pressionou a mulher para obter mais informações e o endereço correto da casa, mas ela desligou. Eles chegaram a fazer uma busca, mas como a descrição era muito genérica, não foi possível avanças muito.


Reportagem sobre o desaparecimento de Cynthia no The News-Messenger


Quando uma pessoa geralmente desaparece, uma das primeiras teorias é de a pessoa fugiu. Apesar de isso não fazer sentido na maioria dos casos, alguns amigos de Cynthia acreditavam que ela poderia sim ter desaparecido por conta própria: um amigo de longa data chamado Jeff Lemke disse ter certeza de que ela tinha fugido por causa da opressão dos pais. Não há nada que comprove essa teoria, apenas que o dinheiro da sua conta nunca foi mexido.

Uma teoria interessante foi levantada em 1995, 14 anos depois do desaparecimento de Cynthia, quando a polícia desmantelou uma quadrilha que vendia drogas na cidade e prendeu 9 pessoas. Duas dessas pessoas eram Jose Rodriguez Jr, um traficante que já era conhecido da polícia, e seu advogado, Richard Neller. Richard era cliente do mesmo escritório que Cynthia trabalhada, e a polícia acreditava que os dois poderiam ter matado ela depois que ela ouviu conversas suspeitas entre eles. Uma testemunha do caso disse que Jose teria até confessado o assassinato, mas a polícia não conseguiu confirmar.


Reportagem sobre as prisões de Jose Rodriguez Jr. e Richard Neller


Já nos anos 2000, os irmãos Anthony e Nathaniel Cook, condenados por nove assassinatos na área de Toledo entre 70 e 80, foram considerados pessoas de interesse. Durante uma acareação eles foram questionados sobre Cynthia, porém negaram ter conhecimento de quem ela era ou de terem qualquer envolvimento com o desaparecimento.


Anthony e Nathaniel Cook


Nunca foi encontrada nenhuma pista do que aconteceu com Cynthia Anderson. Sua mãe morreu de câncer em 1983 e seu pai morreu em 2008. Ele morou na mesma casa e manteve o mesmo número de telefone durante toda a sua vida, na esperança de que a sua filha voltasse algum dia.

O caso de Cynthia é o mais antigo caso de desaparecimento que continua aberto no estado de Ohio. Foram feitas algumas progressões de idade de Cynthia, que teria 61 anos em 2022. Seu caso foi abordado em diversos programas como o Unsolved Mysteries e o BuzzFeed Unsolved, mas apesar disso, ela continua desaparecida.


Michael Anderson com as progressões de idade de Cynthia - ele faleceu sem saber o que aconteceu com ela


• FONTES: Talk Murder To Me, Unsolved Mysteries, The Blade, Medium, The Clermont Sun, The Charley Project.

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