#109 - Albert Fish, o Homem Cinzento | SERIAL KILLER
- Rodolfo Brenner
- 21 de jan.
- 16 min de leitura
Albert Fish parecia um avô comum, com cabelos grisalhos, roupas antigas e uma fala pausada. Entretanto, ele escondia sua verdadeira face: a de um homem que tinha desejos perturbadores envolvendo infanticídio e canibalismo.
Essa é a versão escrita do episódio #109 - Albert Fish, o Homem Cinzento.

Hamilton Howard Fish nasceu no dia 19/05/1870, em Washington, DC. Ele era filho mais novo do casal Randall e Ellen Fish, e tinha 3 irmãos: Walter, Annie e Edwin. A família Fish era conhecida pelo seu histórico de transtornos mentais: Ellen, a mãe, ouvia vozes e via vultos, além de um tio que tinha episódios psicóticos.
Quando o Albert nasceu, seu pai já tinha 75 anos, e ele morreu quando o garoto tinha 5 anos. Como sua mãe não tinha condições financeiras e mentais de cuidar dele, Albert foi enviado para o orfanato católico de St. John em Washington. Mais ou menos nessa época, ele estava brincando em cima de uma árvore quando caiu e bateu com a cabeça no chão. Após isso, ele começou a ter crises de enxaqueca muito fortes. O orfanato era um lugar horrível, e as crianças do local sofriam diversos abusos e castigos físicos das freiras que cuidavam do local. Ele também sofria bullying das outras crianças, que zoavam o nome Hamilton chamando ele de "Ham and Eggs". Após isso, ele trocou o nome para Albert.
Enquanto estava no orfanato, Albert começou a sentir coisas estranhas: sempre que ele era agredido sexualmente ou via alguém ser agredido, ele ficava excitado. Aos 9 anos, Albert voltou ao convívio da mãe, mas ele já não era mais o mesmo, tendo desenvolvido hábitos como se agredir fisicamente, fazer longos períodos de jejum e beber a própria urina.

Washington, DC em 1870
Quando Albert fez 20 anos, ele foi morar em Nova York para trabalhar como pintor. Nessa época, ele passou a molestar crianças nos locais em que ele trabalhava. Seus principais alvos eram crianças negras e com deficiência, e ele dizia que escolhia elas justamente porque, caso elas fossem dar queixa, a polícia com certeza não daria a devida importância.
Quando Albert tinha 28 anos, sua mãe arranjou o casamento dele com uma mulher chamada Anna Mary Hoffman. Juntos, o casal teve 6 filhos. Por incrível que pareça, Albert foi descrito como um ótimo pai, que não era violento ou abusivo, ao contrário, ele incentivava os filhos a baterem nele em uma espécie de brincadeira. Albert disse que, depois de casado e com seus filhos, ele tentava controlar seus impulsos, mas era algo praticamente impossível para ele. Ele então passou a manter relações extraconjugais com jovens entre 15 e 20 anos. Um desses "amantes" era um rapaz de 19 anos chamado Thomas Kedden, que tinha deficiência intelectual. Albert manipulava e oferecia coisas para que Thomas tivesse relações sexuais com ele, às vezes incluindo práticas com urina e fezes.
Mais ou menos nessa época, Albert visitou um museu de cera que estava expondo partes do corpo, incluindo um pênis bisseccionado, ou seja, dividido ao meio. Isso é uma prática que realmente existe, e segundo as pessoas que fazem, aumenta o prazer durante a penetração. Albert ficou fascinado com essa ideia, e decidiu que iria fazer aquilo com o Thomas. Ele levou o jovem até uma fazenda em Delaware onde o manteve preso por duas semanas, torturando o jovem de diversas formas, incluindo dividir o pênis dele ao meio e retirar seus testículos. Albert pensou em comê-los, mas desistiu. Ele tentou tratar as férias do Thomas com vaselina, deu 10 dólares para ele e abandonou o rapaz nessas condições. Não se sabe o que aconteceu com Thomas após isso.

Albert Fish com 19 anos
Como Albert nunca parava em casa, pois estava sempre viajando, trabalhando ou com seus amantes, chegou um momento em que sua esposa não aguentou mais: em 1917, ela o abandonou por um faxineiro chamado John Strobe que alugava um quarto na casa da família Fish. Aparentemente o relacionamento não deu certo, e Anna pediu para voltar para casa. Albert concordou, mas pediu para ela afastar John da família. Ela fez o oposto: escondeu o amante no sótão. Quando Albert descobriu, ele deu um ultimato para Anna, que decidiu deixá-lo novamente. Albert saiu em uma viagem a trabalho, e nesse meio tempo, Anna e o amante entraram na casa e levaram todos os móveis e objetos que conseguiram, inclusive coisas dos próprios filhos.
Após esse acontecimento, a saúde mental do Albert se deteriorou rapidamente: seus filhos disseram que ele passou ouvir vozes que mandavam ele fazer coisas que iam desde dormir no chão (enrolado em um tapete), enfiar agulhas no próprio corpo (principalmente na região pélvica), sair de casa nu dizendo que era o apóstolo João, colocar rosas com espinhos no canal da uretra enquanto comia as pétalas e embebedar lã com fluido de isqueiro, colocar no ânus e atear fogo. Preocupada com o estado do pai, uma das filhas do Albert levou ele para ser avaliado no hospital psiquiátrico de Bellevue, que era referência em saúde mental da época. Mesmo com todos esses comportamentos, ele foi declarado são pela equipe.

Hospital Psiquiátrico de Bellevue
Segundo o próprio Albert, após o divórcio, ele passou a oferecer doces e dinheiro para crianças em troca de abusa-las e tortura-las fisicamente. É muito provável que alguma dessas crianças tenha morrido, mas elas nunca foram nomeadas e os casos nunca foram ligados diretamente a Albert Fish. Em julho de 1924, Albert se aproximou de uma menina de 8 anos chamada Beatrice Keel, que vivia em uma fazenda em Staten Island. Ele se aproximou da menina e convenceu ela a sair com ele. Por sorte, a mãe de Beatrice viu e correu atrás dele com uma arma. Inconformado que seu ataque não tinha dado certo, Albert voltou para a fazenda a noite, mas foi visto pelo pai da menina, que novamente colocou ele para correr.
Alguns dias depois, um menino de 8 anos chamado Francis McDonald estava brincando com seu irmão e um amigo quando Albert se aproximou e ofereceu uma moeda para que os garotos acompanhassem ele, mas só Francis aceitou. Quando o seu irmão apareceu sozinho em casa, ele disse que Francis tinha sido levado pelo "homem cinzento". A mãe de Francis lembrou que, pela manhã, tinha visto um homem estranho, com cabelo e bigode grisalho, todo em uma paleta cinza. Além disso, um vizinho disse ter visto Albert e Francis andando em uma trilha pela floresta. O pai de Francis era policial e juntou uma força tarefa para procurar o próprio filho. Algumas horas depois, 3 escoteiros acharam o corpo de Francis. A autópsia mostrou que ele tinha morrido por estrangulamento, além de ter sofrido uma série de cortes pelo corpo. Os responsáveis pela autópsia disseram que os ferimentos eram tão brutais que o assassino seria jovem e provavelmente seria mais de uma pessoa.
Por algum motivo, mesmo com os testemunhos do vizinho e do irmão do Francis, a polícia focou nessa teoria: muitos jovens foram presos na época, mas nenhuma evidência ligava eles ao caso e eles eram liberados. Um dos suspeitos presos foi Jacob Herman, um paciente que tinha fugido de um hospital psiquiátrico e andava por aí falando sobre o caso. A polícia acabou descartando o Jacob quando percebeu que todas as informações que ele falava vinham de matérias de jornais sobre o caso.- Outro suspeito foi um lavador de pratos chamado Melvin Wear, que tinha sido preso por molestar um garoto de 14 anos em Manhattan. Depois de ser interrogado por horas, Melvin acabou confessando o assassinato do Francis, mas ele foi liberado porque ele estava bêbado durante o interrogatório.
O caso do Francis continuava bombando na mídia, e as pessoas queriam prender um suspeito o mais rápido possível. E foi por conta disso que algo muito trágico aconteceu nesse caso: um fazendeiro chamado John Escowski, que vivia a alguns kms do local onde o corpo do Francis foi encontrado, foi considerado suspeito pelos populares da região, e um homem chamado Salvator Pace chegou a confrontá-lo com uma arma. Os dois entraram em uma briga, a polícia foi chamada e uma multidão se reuniu em volta. John levou um tiro e caiu no chão. Com medo de ser linchado pelos populares e sofrendo de problemas financeiros, ele atirou na própria cabeça na frente de todos. A polícia investigou John e descobriu que ele estava em outro estado quando Francis foi morto.

Francis McDonald
Em fevereiro de 1927, um garoto de 4 anos chamado Billy Gaffney estava brincando com Hall do apartamento em que ele morava no Brooklin junto com dois amigos. Um deles saiu do local e foi até o seu apartamento, mas quando voltou para onde os meninos estavam, não os encontrou. Ele foi até o apartamento do outro amigo mais novo e contou o que aconteceu para o pai dele, que correu até o apartamento da família Gaffney, mas eles também não estavam lá. Os dois vasculharam o prédio inteiro e encontraram o amigo perto da escada que ia para o telhado. Quando o pai perguntou onde estava Billy, seu filho respondeu "o homem estranho o levou". Mesmo com o depoimento do amigo, a polícia foi chamada e tratou o caso como se o garoto estivesse perdido por conta própria. Eles procuram em diversos prédios e locais abandonados, além de corpos d'água pela região, mas nada foi encontrado.
Como o caso ficou muito famoso, pouco tempo depois a família Gaffney passou a receber cartas dizendo que Billy estava vivo, sendo mantido em cativeiro e usado em "experimentos". Outra carta dizia que o corpo dele estava em uma caixa de papelão em um prédio abandonado. Mas a primeira pista real sobre o caso apareceu quando um trabalhador da linha férrea chamado Anthony Barone disse que viu um homem de meia idade embarcando com um garotinho com as descrições do Billy, e que esse menino estava chorando. A nova pista não levou exatamente ao caso do Billy, mas fez a polícia prender dois abusadores de crianças em casos não relacionados.
Com o tempo o caso foi caindo no esquecimento para a mídia, mas não para a família Gaffney, que ainda arrumava o lugar do filho na mesa, na esperança que ele voltasse. A mãe do Billy parou de comer e de dormir, e precisou ser internada em um hospital psiquiátrico mais de uma vez.- Quando Albert foi preso, os detetives do Departamento de Pessoas Desaparecidas de Manhattan conseguiram estabelecer que ele estava trabalhava como pintor de casas para uma imobiliária do Brooklyn em fevereiro de 1927 e que, no dia do desaparecimento de Billy, ele estava trabalhando em um local a poucos quilômetros de onde o menino foi sequestrado.
Posteriormente, Albert confessou o assassinato do Billy em uma carta para seu advogado. Ele disse que levou o menino até o lixão da Avenida Riker, o amarrou, tirou suas roupas e as queimou. Ele deixou o garoto lá e foi até sua casa, onde pegou uma série de ferramentas de tortura, incluindo um chicote feito à mão. Depois de espancar o garoto e matá-lo asfixiado, Albert cortou seus olhos, orelhas, nariz e boca. Ele também fez um corte na sua barriga e bebeu o seu sangue. Depois, ele esquartejou o corpo e separou algumas partes para se alimentar. Ele colocou os restos em sacos de batata com pedras e jogou em corpos de água ao longo de uma estrada.

Matéria de jornal sobre o desaparecimento de Billy Gaffney
Em 1928, Albert Fish atacou mais uma vez, mas dessa vez seu modus operandi foi diferente: ele resolveu procurar uma vítima através de anúncios de adolescentes procurando trabalho no jornal. Em maio, ele bateu na porta da casa da família Budd. Lá ele se apresentou como Frank Howard e conheceu a família: o pai, que também chamava Albert, a mãe, Delia e seus filhos. O Sr. Howard disse que tinha interesse em contratar Edward Budd, de 18 anos, para sua fazenda em Farmingdale, em Long Island. Ele disse que era uma fazenda grande e que precisava de jovens fortes para o trabalho, oferecendo pagar 15 dólares por semana, o que daria uns 285 dólares hoje. Um amigo do Edward que estava na casa perguntou se também poderia ser contratado, e Albert concordou. Ele prometeu voltar no próximo sábado para buscá-los, mas não apareceu. Albert enviou um telegrama dizendo que estava em Nova Jersey e viria no dia seguinte.
No outro dia, Albert apareceu com uma cesta com morangos e queijo, que ele disse terem vindo da sua fazenda. A família convidou ele para almoçar e Albert conheceu toda a família, incluindo a filha de 10 anos, Grace. Assim que a viu, Albert ficou encantado com a menina, que ele disse que parecia sua neta.- Ele tirou uma enorme quantia de dinheiro do bolso e pediu para a garota contar, para ver se ela era boa em matemática. No fim, ele deu 50 centavos para a menina comprar doces. Ele também deu 2 dólares para Edward ir para o cinema. Albert disse que iria até a festa de aniversário de uma sobrinha e convidou Grace para ir com ele, e que iria levar os rapazes embora quando voltasse. A mãe não gostou da ideia inicialmente, mas o pai convenceu que não teria problema. Albert deixou o endereço da casa da irmã para tranquilizar a família, e essa foi a última vez que Grace Budd foi vista com vida.

Grace Budd
O dia foi acabando, a família ficou esperando os dois voltarem da tal festa, mas isso não aconteceu. Desesperados, eles mandaram Edward ir até a polícia e reportar o desaparecimento da irmã. Ao verificar o suposto endereço da irmã do Albert, a polícia descobriu que era falso. Uma busca se iniciou por toda Nova York, e o caso ganhou muita repercussão no jornal. Mesmo com características parecidas, o desaparecimento da Grace Budd ainda não tinha sido ligado com o desaparecimento do Billy Gaffney ou com a morte do Francis McDonald, até porque o conceito de serial killer só surgiu na década de 70.
A polícia foi até a cidade de Farmingdale, no estado vizinho de Nova Jersey, e descobriu que realmente existia um homem chamado Frank Howard na região. Ao encontrarem um parente desse Frank, descobriram que o homem já estava morto a mais de 10 anos, ou seja, era uma coincidência.- Pelo menos 4 testemunhas apareceram dizendo que tinham visto Grace com o Sr. Howard em diferentes locais, inclusive entrando em um carro com placa do estado da Pensilvânia, e que havia um outro homem junto com eles. Esse é um detalhe bastante polêmico no caso, pois poderia indicar que Albert não estava sozinho. O mais provável é que Albert tenha pedido uma carona ou que esse avistamento foi uma confusão, pois os especialistas no caso tendem a acreditar que Albert Fish sempre agiu sozinho.
Nesse meio tempo apareceram diversos suspeitos: a polícia passou anos seguindo pistas e interrogando pessoas em diversos estados. Em desespero, a família de Grace sempre acabava confirmando que os suspeitos eram sim o Sr. Howard, mas em algum momento da investigação eles acabavam sendo descartados.
Os anos foram passando e o caso foi esfriando. Entretanto, o detetive William King não deixava o caso morrer na mídia, sempre dando entrevistas sobre novas possibilidades de investigação, e isso foi primordial para que o caso fosse realmente resolvido. Em 1934, seis anos depois do desaparecimento da Grace, um novo artigo sobre o caso levou a família Budd a receber uma carta endereçada a Delia. Mas como ela não sabia ler, seu filho fez isso por ela. Quando eles terminaram a carta, eles correram para a polícia para mostrar o que haviam recebido.
“Minha querida Sra. Budd:
Em 1894, um amigo meu embarcou como marinheiro no navio a vapor Tacoma, sob o comando do Capitão John Davis. Eles partiram de São Francisco rumo a Hong Kong, na China. Ao chegarem lá, ele e outros dois foram para a costa e se embriagaram. Quando retornaram, o navio havia desaparecido.
Naquela época, havia fome na China. Carne de qualquer tipo custava de 1 a 3 dólares o quilo. Tão grande era o sofrimento entre os mais pobres que todas as crianças menores de 12 anos eram vendidas para serem comidas, a fim de evitar que outras morressem de fome. Um menino ou menina menor de 14 anos não estava seguro na rua. Você podia entrar em qualquer loja e pedir bife, costeletas ou carne para ensopado. Parte do corpo nu de um menino ou menina era trazida e exatamente o que você queria era cortado. A parte mais nobre do corpo de um menino ou menina, atrás da qual se encontra a parte mais delicada, era vendida como costeleta de vitela e alcançava o preço mais alto.
John ficou lá por tanto tempo que adquiriu gosto por carne humana. Ao retornar a Nova York, ele sequestrou dois meninos, um de 7 e outro de 11 anos. Levou-os para sua casa, despiu-os, amarrou-os em um armário e queimou todas as roupas que vestiam. Várias vezes por dia e por noite, ele os espancou e torturou para amolecer a carne.
Primeiro, matou o menino de 11 anos, porque ele tinha a bunda mais gorda e, claro, mais carne. Todas as partes do corpo dele foram cozidas e comidas, exceto a cabeça, os ossos e as vísceras. Ele foi assado no forno, fervido, grelhado, frito e cozido em ensopado. O menino menor foi o próximo e teve o mesmo destino. Naquela época, eu morava na Rua 100, número 409, perto do lado direito. Ele me dizia com tanta frequência como a carne humana era boa que resolvi prová-la.
No domingo, 3 de junho de 1928, visitei você na Rua 15 Oeste, número 406. Levei queijo e morangos. Almoçamos. Grace sentou no meu colo e me beijou. Eu decidi que iria comê-la. Com o pretexto de levá-la a uma festa, você disse que sim, que ela podia ir. Levei-a para uma casa vazia em Westchester que eu já havia escolhido. Quando chegamos lá, mandei que ela ficasse do lado de fora. Ela colheu flores silvestres. Subi as escadas e tirei toda a minha roupa. Eu sabia que, se não fizesse isso, ela me sujaria com o sangue dela.
Quando tudo estava pronto, fui até a janela e a chamei. Então, me escondi em um armário até que ela estivesse no quarto. Quando ela me viu nu, começou a chorar e tentou descer as escadas correndo. Eu a agarrei e ela disse que contaria para a mãe dela. Primeiro, eu a despi. Como ela chutou, mordeu e arranhou! Eu a estrangulei até a morte, depois a cortei em pedaços pequenos para poder levar a carne para o meu quarto. Cozinhar e comer. Como era doce e macia a bundinha dela assada no forno! Levei nove dias para comer o corpo inteiro dela. Não transei com ela, embora pudesse ter transado se quisesse. Ela morreu virgem”.
A polícia acreditou que a carta era verdadeira, e comparando a letra com a letra do telegrama que Albert tinha mandado para a família anos antes, as letras eram compatíveis. O envelope onde a carta tinha sido mandada tinha mais uma pista: o selo estava colado em cima de uma sigla: NYPBA, de New York Chauffeur's Benevolent Association, que era uma espécie de sindicato de chofers da cidade.
A polícia foi até o escritório dessa associação e descobriu que não havia nenhum Frank Howard trabalhando no local. O Detetive King comparou a escrita com mais de 400 fichas que tinham no local, e mesmo assim, não encontrou nada. Entretanto, um empregado do local disse que, seis meses antes, ele havia levado papeis de carta do local para a pensão onde ele estava. A polícia perguntou se a locatária, Sra. Schneider, conhecia algum Sr. Howard, ela negou, mas ao explicar a aparência dele, ela disse que havia uma pessoa que batia com aquela descrição, mas que ele tinha partido alguns dias antes. O detetive King analisou o contrato de assinatura da pensão com a carta e as letras eram iguais. Agora a polícia já tinha um nome: Albert Fish.
No dia 14/11, a polícia fez uma tocaia esperando que Albert aparecesse na pensão para pegar um cheque que seu filho mandava todos os meses. Acontece que Albert nunca apareceu, e o detetive precisou desarmar a emboscada, mas pediu para que a Sra. Schneider ligasse se Albert aparecesse a qualquer momento. No dia 13/12, para a surpresa do detetive, a Sra. Schneider ligou e disse que Albert Fish estava no local. Ele correu o mais rápido que pôde ao local e encontrou aquele senhor grisalho, magro, todo vestido de cinza, tomando chá no local. Quando o detetive King perguntou: Albert Fish? O senhor se levantou, pegou uma navalha de barbeiro do bolso e correu em direção a ele, que conseguiu desarmá-lo. Após seis anos de investigação, Albert Fish estava preso pelo sequestro de Grace Budd.

Albert Fish sendo preso
Em depoimento, Albert contou que, no verão de 1928, sentiu "sede de sangue", e procurou no jornal por anúncios de trabalho na esperança de sequestrar algum jovem, e foi assim que ele foi parar na casa dos Budd. A ideia inicial era levar o Edward com ele, mas o plano acabou dando errado porque, como vocês se lembram, o amigo do Edward decidiu ir junto. Além disso, Albert ficou muito encantado com a Grace, e acabou optando por levá-la no lugar do irmão. Albert levou Grace de trem até Worthington, uma pequena vila em Westchester.
Segundo Albert, Grace se manteve tranquila durante toda a viagem. Quando os dois chegaram até uma casa abandonada, ele deixou a menina pegando flores, enquanto foi até o segundo andar e tirou suas roupas, segundo ele, para que não as sujasse de sangue. Ele então chamou a garota, que se assustou aí vê-lo nu. Ele agarrou ela pelo pescoço e a estrangulou até a morte. Ele então cortou sua cabeça e drenou o seu sangue. Depois, ele cortou seu corpo em partes e levou alguns pedaços com ele, embrulhado no jornal. Ele então escondeu o restante do corpo junto com algumas ferramentas em um fosso. No dia seguinte, a polícia foi até o local e encontrou o esqueleto de Grace Budd, além das ferramentas. Eles também encontraram um par de sapatos e um colar de pérolas que eram da Grace, confirmando sua identidade. Durante todo o tempo, Albert se manteve calmo e tranquilo, sem esboçar nenhuma reação. Ao ser perguntado do porquê ter feito aquilo, ele disse que não sabia.
A família Budd ficou sabendo da confissão pelos jornalistas que correram para entrevistá-los antes mesmo do detetive King ter a oportunidade de contar para eles. Ao confrontar Albert, o pai da Grace disse "você entrou na minha casa como convidado e levou minha filha embora". Questionados, os filhos do Albert ficaram chocados com as confissões. Um deles, Albert Jr, disse que, por meses, seu pai gritava o nome "Grace" durante a noite, e que agora isso estava explicado.
Antes mesmo do julgamento começar, Albert já apresentava um comportamento confuso, fazendo citações da bíblia, falando sobre anjos e sacrifícios humanos, inclusive dizendo que Grace era um menino. Ao mesmo tempo, ele se gabou de que a polícia só conseguiu desvendar o caso com a ajuda dele. Na prisão, ele continuava se machucando, usando ossos de galinha afiados para se perfuntar e interrompia as missas para arrancar a roupa e se masturbar na frente de todos.
Um psiquiatra chamado Frederick Woreman foi chamado para determinar se Albert era ou não são para o julgamento. O Dr. Woreman disse que, embora Albert fosse gentil e educado, ele também dizia que estava feliz em morrer. Ele também tirou um raio-x da região pélvica e comprovou que haviam 27 agulhas alojadas no seu corpo. Albert também acabou confessando que ele tinha molestado pelo menos 100 crianças, e que, dessas, matou "pelo menos 20". Contando com todos os aspectos delusionais durante a sua vida, os assassinatos, a autopunição e o canibalismo, o Dr. Woreman declarou que Albert Fish era legalmente insano e que não conseguia dizer o que era certo ou errado. A promotoria, entretanto, entendia que ele sabia que o que ele fazia não era certo, além de atormentar as pessoas com cartas.

Radiografia mostrando as inúmeras agulhas na região pélvica de Albert
O julgamento começou no dia 11/03/1935 e foi um verdadeiro show de horrores: enquanto a acusação levou o crânio da Grace para o tribunal para comover o juiz, a defesa tentou dizer que, embora ele assumisse uma outra persona durante os crimes, ele nunca deixou de ser um homem responsável e um bom pai, que inclusive tinha criado seus filhos sozinho depois que sua ex-esposa tinha partido. Durante todo o julgamento, Albert permaneceu calmo, falou muito pouco e chegou a dormir em alguns momentos. Após 10 dias de julgamento, o júri deliberou por menos de uma hora e considerou Albert Fish culpado pelo homicídio de Grace Budd e foi condenado à morte na cadeira elétrica.
No dia 16/01/1936, Albert fez sua última refeição: um filé e sopa de frango. Existe um rumor que, antes de ser eletrocutado, Albert teria dito que aquilo era a coisa mais emocionante que já aconteceu com ele. Também houve boatos que as agulhas no seu corpo teriam criado faíscas durante a execução, mas ambos foram provados falsos. Antes de falecer, Albert teria escrito diversas cartas para seu advogado, onde teria dado detalhes dos outros assassinatos que ele cometeu. Segundo seu advogado, o conteúdo era tão perturbador que ele nunca os divulgaria. Existe muita especulação sobre o que aconteceu com essas cartas e elas se tornaram uma Lost Media muito famosa no meio do true crime.

Albert sentado na cadeira elétrica
• FONTES: Albert Fish in His Own Words: The Shocking Confessions of the Child Killing Cannibal.





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