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  • Foto do escritorRodolfo Brenner

#18 - A Vida Secreta de Paige Birgfeld | CRIMES REAIS

O assassinato de uma mãe solteira choca uma cidade do Colorado, afinal, quem mataria uma mulher batalhadora, carinhosa com os filhos e que todo mundo gostava? O que ninguém esperava é que a investigação descobriria que ela escondia muitos segredos.


Essa é a versão escrita do episódio #18 - A Vida Secreta de Paige Birgfeld:



Paige Birgfeld nasceu em 27 de abril de 1973, em Atlanta, na Geórgia. Ela era filha de Suzanne e Frank Birgfeld, e tinha um irmão chamado Craig. Existem poucas informações sobre a vida dela antes do caso, mas o que se sabe é que ela estudou na Universidade da Flórida e foi casada duas vezes: com Howard Beigler, de 1995 a 1997, e com Rob Dixon, de 1998 a 2006. Desse último casamento vieram 3 filhos. Após o divórcio, ela ficou com a guarda das crianças e decidiu criar elas sozinha.

A família morava na cidade de Grand Junction, Colorado. Segundo os relatos, Paige era uma mãe muito carinhosa, responsável e participativa na vida dos filhos. Os relatos dizem que ela tinha vários empregos informais e ainda dava conta de frequentar as reuniões da escola dos filhos e levar eles para jogar futebol. - Um dos empregos era ensinar crianças a dançar duas vezes por semana: ela preparava as apresentações e até mesmo fazia as fantasias para as os alunos. Outro emprego era como vendedora de utensílios de cozinha de uma empresa chamada The Pampered Chef. Paige vendia tão bem que chegou a ganhar uma viagem para o Caribe como recompensa.

No dia 28 de junho de 2007, uma quinta-feira, Paige chamou uma baba e prometeu que voltaria mais tarde. Como ela estava demorando muito, os próprios filhos começaram a telefonar e deixar mensagens na caixa postal dela, mas não tiveram retorno. No sábado, a polícia ficou surpresa quando Jess, a filha mais velha, na época com 8 anos, apareceu na delegacia junto com a babá para informar o desaparecimento da mãe.


Paige em um momento familiar com seus filhos


No dia 30 de junho, o Departamento do Xerife do Condado de Mesa ligou para o pai de Paige para informar o desaparecimento. Assim que ele soube, ele e a esposa correram para Grand Junction. Quem também foi para lá foi o irmão dela, Craig, para ajudar a cuidar dos sobrinhos. O xerife Stan Hilkey foi o responsável pelas investigações. Assim que ele começou a averiguar a situação, ele já se convenceu de que ela não tinha simplesmente fugido e abandonado seus filhos.

No dia 1º de julho, uma ligação para o 911 informou que havia um carro em um terreno baldio, que logo ficou provado que era o carro de Paige. Ao examinarem o veículo, a polícia percebeu que o banco do motorista foi empurrado para trás, indicando que alguém muito mais alto que ela, que tinha apenas 1,60m, estava ao volante.

Após a descoberta do carro, investigadores e voluntários começaram uma busca por Paige nas áreas próximas do Condado de Mesa. Foram encontrados alguns itens pessoais dela, como um talão de cheques e cartão do plano de saúde, que estava a cerca de 24 quilômetros de onde seu carro foi descoberto. As folhas de cheque tinham sido cuidadosamente rasgadas e espalhadas por todo o local, e a polícia acreditava que a própria Paige teria feito aquilo em uma tentativa de marcar o caminho por onde passava.

Das coisas que sobraram no carro, foi encontrado uma agenda. Amigos e familiares disseram que Paige levava essa agenda para todos os lugares que ela ia, e que ela jamais deixaria o objeto para trás. Examinando a agenda, a polícia percebeu que as folhas referentes aos dias 26, 27, 28 e 29 de junho tinham sido arrancadas, justamente o período que ela desapareceu.


Carro de Paige foi encontrado em chamas


Quando a polícia começou a coletar os depoimentos, descobriu que ela estava se encontrando com Howard Beigler, o seu primeiro marido. Inclusive descobriram que eles tinham se encontrado no dia que ela desapareceu, em um local que ficava a 4 horas de distância de Grand Junction. Por volta das 21h, Paige ligou para Howard, os dois conversaram brevemente e ela disse que ligaria novamente mais tarde. Quando ela não retornou as ligações, ele tentou ligar para ela na manhã seguinte, mas o celular automaticamente foi para a caixa postal.

No sábado, ele ligou para a casa de Paige e quem atendeu foi um dos filhos, que contou que a mãe não tinha aparecido desde quinta à noite. Depois disso, Howard ligou para a polícia para informar o desaparecimento da ex-mulher. Ele foi rapidamente descartado como suspeito, porque estava em Denver na hora que ela desapareceu.


Foto do casamento de Paige Birgfeld e Howard Beigler: os dois se encontraram no dia do desaparecimento


Quanto ao seu segundo ex-marido, Rob Dixon, foi descoberto que os dois tinham um casamento conturbado, repleto de brigas por causa de dinheiro: apesar de vir de uma família rica, Rob era muito imprudente com a renda familiar, e chegou a investir milhões de dólares em negócios arriscados, que nunca davam retorno.

Em outubro de 2004, Paige chamou a polícia e disse que Rob ameaçou matar as crianças quando ela saísse. A polícia foi até o local, mas aparentemente eles já tinham se acertado, e ela não prestou queixa. Em 2005, a polícia foi chamada mais uma vez, e dessa vez ele foi preso por agressão depois de ter jogado Paige no chão e dar um soco nela, isso enquanto ela segurava o filho mais novo do casal, que ainda era um bebê.

Em setembro de 2006, os dois se divorciaram, Rob declarou falência e se mudou para a Filadélfia. A polícia encontrou mensagens escritas por Paige no seu computador e que davam a entender que Rob tinha ameaçado os filhos novamente, porém não foram divulgados mais detalhes sobre isso. Apesar do histórico de agressões, foi confirmado que Rob realmente estava na Filadélfia quando Paige desapareceu, a mais de 3.200 km de distância.


Paige e Rob junto com seus 3 filhos


Um dos objetos encontrados próximos ao carro foi um cartão de visitas um tanto suspeito. Ao cruzarem com algumas informações que encontraram no computador de Paige, a polícia descobriu algo chocante: Paige levava uma vida dupla.

Quando estava perto da família e dos amigos, Paige era a mãe dedicada que todos conheciam, uma mulher batalhadora que criava os filhos dando aula de dança para crianças e vendendo os artigos de cozinha. Porém, na internet, Paige se apresentava como “Carrie”, uma massagista que cobrava até US$ 2.500,00 pelos seus serviços, que, por incrível que pareça, eram só massagens sensuais mesmo, sem sexo. Além disso, a polícia descobriu que ela havia passado boa parte da década de 90 trabalhando como stripper em Denver, usando o nome de “Madison”.

Em 2005, Paige começou o próprio negócio: uma empresa de acompanhantes chamadas Models, Incorporated, e era com isso que ela pagava suas contas, mas apesar de anunciar garotas de programa, Paige só realizava geria e realizava massagens. Amigos e familiares, inclusive seus pais, não entendiam direito como Paige conseguia manter a casa, os filhos e pagar as dívidas deixadas pelo marido, inclusive a hipoteca da casa de US$ 6.000,00 mensalmente. Callie, cunhada de Paige, perguntou como ela conseguia pagar sua primeira casa com o salário de professora de dança: "Eu perguntei a ela se ela estava fazendo outra coisa além de ensinar dança. E ela me disse que estava fazendo strip".


Paige fundou a agência Models, Inc: o anúncio diz que mulheres estão disponíveis para "um-a-um/casais, massagem e dança para festas"


A polícia descobriu que Paige tinha um telefone celular usado somente para seu negócio de acompanhantes, e passaram a investigar os clientes que ligaram para ela na noite em que ela desapareceu. 7 deles eram nomes de interesse, incluindo um homem chamado Lester Ralph Jones: Lester era um mecânico de 55 anos que tinha uma ficha criminal um tanto extensa, com passagens por agressão, estupro e sequestro. Os investigadores descobriram que ele trabalhava na Bob Scott RVs em Grand Junction, que ficava próximo de onde o carro de Paige foi encontrado em chamas.

Paige já havia se encontrado anteriormente com Lester, porém disse que tudo tinha sido desconfortável. Quando ele tentou marcar novamente, Paige pediu para Carol Linderholm, sua amiga, que fosse no lugar dela. Carol contou posteriormente que sentiu medo dele, e que ele disse que queria sexo. Ela então disse para ele contratar outra pessoa, porque isso não aconteceria. Lester conversou por horas com Carol, e ela sentiu que ele estava obcecado por Paige.


Lester Ralph Jones


Os investigadores entraram em contato com Lester no dia 5 de julho, que resolveu se apresentar por conta própria. Uma coisa que chamou a atenção da polícia foi que Lester era muito alto: 1,85m, e que ele se encaixaria na pessoa que dirigiu o carro de Paige. Ele foi interrogado por mais de duas horas e forneceu impressões digitais, DNA e as chaves do seu carro - uma picape Dodge branca. Carol Linderholm contou aos investigadores que Paige relatou que um caminhão branco parou atrás dela e tentou bloquear seu carro, mas que ela conseguiu fugir a tempo.

A polícia descobriu que Paige recebeu uma série de ligações de uma pessoa desconhecida vindas de um TracFone, um celular pré-pago que funciona com minutos comprados. O TracFone específico tinha feito apenas 5 ligações e tinha sido ativado na manhã anterior ao desaparecimento. Durante uma busca policial na casa de Lester Jones, e os investigadores encontraram um sutiã, perucas masculinas, uma lata de gasolina, preservativos, Viagra e uma caixa de TracFone. O rastreamento da embalagem do celular mostrou que ele tinha sido comprado em um Walmart na North Avenue em Grand Junction. A polícia obteve as imagens das câmeras de segurança da loja e viram Lester Jones, inclusive com a mesma roupa que ele tinha se apresentado para a polícia. Ele negou que fosse ele no vídeo.

Com a ajuda de cães farejadores, foi detectado o cheiro de Lester no carro de Paige, além do cheiro de um cadáver no banco de trás. Apesar disso, como as únicas evidências eram circunstanciais, as autoridades decidiram não acusar Lester Jones, e sem um corpo o caso foi arquivado.


Lester Jones nas imagens de câmera de segurança: ele negou que fosse ele


Em março de 2012, 5 anos depois, um montanhista encontrou restos mortais perto de uma ravina. As autoridades logo desconfiaram que poderia ser Paige e fizeram um teste de DNA, e ficou confirmado que era ela. Eles ainda encontraram uma corda e fita adesiva no corpo. Como só restavam ossos, não foi possível dizer qual foi a causa da morte. Em novembro de 2014, Lester foi preso e acusado de sequestro e assassinato em primeiro grau e segundo grau. O julgamento começou em julho de 2016, nove anos após o desaparecimento, e segundo os promotores, o motivo do crime foi a frustração de Lester ao tentar marcar com Paige, porém outra mulher ter ido no seu lugar.

Além do depoimento dos familiares de Paige, a principal testemunha da acusação foi a ex-mulher de Lester, Lisa Nance. Lisa estava tentando se separar dele, mas ele não aceitava. Uma noite, ele seguiu Lisa e o homem que ela estava se envolvendo e deu um tiro de raspão nele, tudo isso mesmo com ela tendo uma ordem de restrição contra Lester. Menos de um mês depois, ele apareceu em sua casa e obrigou ela a entrar no carro com ele. Segundo Lisa, “assim que saímos da cidade, olhei para ele e disse: o que vamos fazer? Ele olhou para mim e disse: vou matar você”. Surpreendentemente ela conseguiu escapar e Lester Jones foi preso por sequestro e agressão sexual.

No caso de Paige, a defesa alegou que Lester, apesar de ter cometido vários erros durante a vida, não tinha motivos para matá-la e que haveria outros suspeitos na lista além dele. Para piorar, o próprio Lester não prestou depoimento, mas sua atual esposa, disse que, na época das primeiras investigações, o mecânico tentou tirar a própria vida quando a polícia passou a investiga-lo. Ela também o reconheceu nas filmagens da câmera de segurança do Walmart, comprando o TracFone.

O julgamento levou 22 dias, porém foi anulado porque o júri não conseguiu chegar a um veredito. Os promotores entraram com uma nova ação, e um novo julgamento começou em novembro de 2016, apenas 10 semanas após o primeiro julgamento. A estratégia da acusação foi ouvir o primeiro júri para focar nas coisas que eles tinham considerado importante. Esse novo julgamento terminou no Natal de 2016, e o júri demorou quatro dias para retornar com o veredito: Lester Jones foi considerado culpado em todas as acusações. A sentença foi de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Lester segue preso na Fremont Correctional Facility, em Canon City, Colorado.


Lester Jones durante seu julgamento: ele foi condenado à prisão perpétua


• FONTES: CBS, ABC, 20/20, TV Overmind, The Cinemaholic, That Chapter.

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