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  • Foto do escritorRodolfo Brenner

#48 - Família Lawson: Massacre no Natal | CRIMES REAIS

O natal deveria ser uma data para se reunir e comemorar com a família e os amigos, mas não foi bem isso que aconteceu com uma família americana em 1929. Esse é o podcast Clube dos Detetives, eu sou o Rodolfo, e hoje nós vamos tentar entender o caso da Família Lawson, um massacre no Natal.


Essa é a versão escrita do episódio #48 - Família Lawson: Massacre no Natal | CRIMES REAIS:



Charles Davis Lawson nasceu no dia 10 de maio de 1886. Os pais dele se chamavam Augustus e Nancy, e eles viviam em uma comunidade chamada Lawsonville e ficava localizada no condado de Stokes, na Carolina do Norte. Em 1911, ele se casou com Fannie Manring, com quem teve oito filhos: Marie (17), Arthur (16), Carrie (12), Maybell (7), James (4), Raymond (2) e Mary Lou (4 meses). O outro filho, William, morreu com 6 anos em 1920.

Em 1918, dois irmãos de Charles chamados Marion e Elijah se mudaram de Lawsonville para a vila de Germantown, e Charles decidiu seguir eles porque poderiam ter mais oportunidades para ele e sua família. Existem poucas informações sobre a vida da família, mas o que é possível entender é que os Lawson trabalharam em uma fazenda que plantava tabaco, e aos poucos conseguiram juntar dinheiro para comprar a própria fazenda em 1927.


Da esquerda para a direita: Arthur, Marie, Charles, Fannie e Mary Lou.

Em baixo: James, Maybell, Raymond e Carrie.


Alguns dias antes, não fica muito claro quantos, Charles, que estava com 43 anos, levou sua esposa e filhos até a cidade para comprar roupas novas e tirar um retrato de família. Algumas fontes dizem que, antes do retrato ser tirado, Charles teria dito que aquilo era uma “surpresa de natal”. No dia 25 de dezembro, enquanto as mulheres estavam preparando a ceia, Charles saiu com seu filho Arthur e os dois cachorros da família para caçar. No meio da atividade, a munição teria acabado e ele pediu para o filho ir até a cidade para comprar mais.

Enquanto isso, ele foi até o celeiro da fazenda e ficou aguardando pacientemente. Duas de suas filhas, Carrie e Maybell, passaram próximas a ele quando estavam indo para a casa de seus tios e ele atirou nas duas. Para garantir que elas tinham morrido, ele usou a espingarda para bater violentamente nelas e depois levou os corpos para o celeiro. Após isso ele voltou para casa e atirou na esposa, Fannie, que estava na varanda. Os outros filhos escutaram o som de tiro e foram se esconder. Charles entrou em casa e atirou em Marie, James e Raymond. Por último, ele matou a bebê Mary Lou, agredida até a morte com a espingarda. Depois disso, ele saiu de casa.


A casa da família Lawson


A cronologia certa do que aconteceu depois é um tanto confusa, já que faltam muitas informações. O que se sabe é que alguém foi até a fazenda por causa do barulho dos tiros e encontrou os corpos, que estavam com os braços cruzados e pedras sob a cabeça. A história rapidamente circulou entre os vizinhos e muitos foram até o local. Enquanto estavam lá, eles ouviram um som de tiro vindo de uma floresta próxima. Um policial correu até o local e encontrou Charles Lawson, que tinha se matado e deixado uma carta de despedida para seus pais, além de um bilhete em seu bolso escrito “Não culpe ninguém além de mim”. Arthur, o filho que tinha ido comprar munição na cidade, foi o único sobrevivente.

Os corpos foram enterrados no Cemitério da Família Browder no dia 27 de dezembro. Mais de 5 mil pessoas acompanharam o enterro, muitos atraídos pela história bizarra do crime.

O velório da família Lawson foi marcada por muita comoção


• TEORIAS:


1. LESÃO:


Segundo relatos de pessoas próximas, a família estava trabalhando na reforma da casa da fazenda quando Charles acidentalmente atingiu a própria testa com um machado. Após isso, ele teria começado a apresentar um comportamento mais agressivo e violento, algo que não era de sua personalidade. Ele também tinha se queixado com o médico da família sobre dores de cabeça e insônia. Mudanças de comportamento após lesões na cabeça não são raras: já foram relatadas em outros casos famosos como do Richard Ramirez e do John Wayne Gacy.

Quando alguém sofre uma pancada na cabeça, um AVC ou está com uma doença neurodegenerativa, é quase certo que ela vai apresentar alguma sequela, que vai depender muito do local afetado, do tipo de lesão e da intensidade. Muita gente acha que cada área do cérebro é responsável por somente uma coisa, mas na verdade não é bem assim: as áreas tem uma certa especificidade, ou seja, tem algumas funções que são mais concentradas em algumas regiões.

Uma dessas áreas é o lobo frontal, que como o nome diz, fica bem na frente da nossa cabeça. Esse lobo apresenta algumas divisões segundo as funções mais que ele é responsável, e uma dessas divisões é o córtex pré-frontal. O córtex pré-frontal é muito importante, porque é ele que faz a gestão das funções cognitivas superiores, como o planejamento, a organização, a resolução de problemas, a autocontrole e também a regulação das emoções. Se alguém sofre uma pancada que atinge o córtex pré-frontal, ele pode passar a apresentar alguns problemas nessas funções, como por exemplo: ficar mais irritado, mais impulsivo, ter uma dificuldade maior para controlar as emoções.

A maioria das pessoas que apresentam esses comportamentos não chegam ao ponto de serem extremamente violentos, muito porque elas estão em tratamento e essas sequelas são estabilizadas. Mas existem casos em que, devido a falta de tratamento correto, essas sequelas levem a pessoa a ficar cada vez mais agressiva, ao ponto até de matar alguém. Claro que é um conjunto de coisas acontecendo, não somente a sequela da lesão, até porque na psicologia a gente não pode tratar o fenômeno como algo isolado, mas sim tendo várias causas impactando, causas que podem sim ser biológicas como é o caso de uma sequela de lesão cerebral, mas também causas psicológicas e sociais, que são tão importantes quanto.


Córtex Pré-frontal


2. CRIME ENCENADO:


Houve rumores que, na verdade, a família foi morta por uma terceira pessoa, e que Charles foi usado como bode expiatório. Segundo teorias, os responsáveis por isso seriam do crime organizado: meses antes, Charles teria testemunhado algo e foi jurado de morte, embora nunca fique claro nas fontes o que ele teria visto. Um outro possível assassino seria um homem com quem Charles teve uma desavença algum tempo antes, mas não há mais informações sobre isso.


3. INCESTO:


Em 1990 foi lançado o livro White Christmas, Bloody Christmas, dos autores M. Bruce Jones e Trudy J. Smith, que lançou uma teoria nova sobre o caso: segundo eles, Charles tinha um relacionamento incestuoso com sua filha mais velha, Marie. Em 1989, os autores receberam a ligação de uma mulher anônima, que levou a uma parente da família, Stella Lawson, prima de Marie. Stella disse que ouviu da sua própria mãe durante o funeral da família que havia o Fannie estava preocupada com a proximidade entre o marido e a filha.

Em 2006 foi lançado outro livro sobre o caso, The Meaning of our Tears, com uma entrevista com Ella May, uma das melhores amigas de Marie. Ela afirmou que, poucas semanas antes do Natal, Marie disse que estava grávida e que era do próprio pai, e que Charles e Fannie sabiam disso. Essa afirmação foi corroborada por um vizinho da família chamado Hill Hampton.


Reportagem sobre o caso (Fonte: Strange Carolinas)


4. PERDA DE DINHEIRO:


Depois da Primeira Guerra Mundial, a economia mundial estava abalada de forma geral, já que muitas nações gastaram muito dinheiro durante o conflito. Uma dessas nações eram os Estados Unidos, que embora não tenha sido um dos principais países dessa guerra, participou do lado da Tríplice Entente, que seriam os ganhadores.

Em 1929, 11 anos depois da Primeira Guerra Mundial, a economia americana estava a todo o vapor, produzindo acima do limite, até mesmo para a exportação. Os americanos aproveitavam para expandir o seu estilo de vida, querendo sempre o melhor do melhor. Só que nem todo mundo tinha dinheiro para isso, então os bancos passaram a oferecer crédito sem nenhum tipo de regulação, mesmo pra quem não tinha condição de pagar. Outra coisa que estava acontecendo é que, como o conflito aconteceu na Europa, muitos países estavam com a economia abalada e não conseguiam se reconstruir. Os Estados Unidos, que iam muito bem, começaram então a emprestar muito dinheiro para seus aliados, que por acaso também não estavam pagando. Além disso, para aproveitar esse boom econômico, muita gente começou a investir pesado na bolsa de valores.

Mesmo com tudo isso acontecendo, praticamente não existia fiscalização dos próprios bancos ou do governo de quanto todo mundo estava devendo, e foi justamente esse o erro: com tanta gente devendo, os investidores começaram a ficar com medo de que algo acontecesse, e decidiram vender as ações na esperança de não terem prejuízo.

No dia 28 de outubro de 1929, isso chegou ao ápice, com 33 milhões de ações colocadas à venda. No dia seguinte, com todo mundo vendendo e ninguém comprando, a bolsa quebrou, ou seja, as ações que valiam milhões de dólares agora não estavam valendo quase nada. Muitas empresas que tinham todo o seu capital investido na Bolsa foram à falência. Com isso, o desemprego aumentou muito, saltando de 4% para 27%. Por consequência, o poder de compra diminuiu drasticamente, e as produtoras, que já estavam com estoque em excesso, não tinham mais para quem vender. Muita gente correu para os bancos para tentar salvar o seu dinheiro, e eles, que já tinham levado prejuízo de muitos empréstimos que não foram pagos, também faliram.

É de conhecimento que a família Lawson não era rica, mas que eles conseguiam levar uma vida levemente confortável. Uma teoria diz que Charles teria perdido todo o dinheiro que a família tinha durante a crise, e que por isso decidiu matar toda a sua família para livrar eles das consequências disso. Apesar de ser uma teoria plausível, nunca foi comprovado que ele tinha dinheiro investido, e também não existe registro de nenhuma dívida ou cobrança para a família, mesmo após a morte.


Cidadões americanos correram para os bancos retirarem suas econômias


Uma coisa muito bizarra aconteceu um tempo depois dos assassinatos: o irmão de Charles resolveu ganhar um dinheiro com o caso e abriu a casa dos Lawson como uma espécie de tour macabro. Ele cobrava 25 centavos (hoje seria US$ 4,50) pelo passeio, e o dinheiro foi usado para pagar a hipoteca das terras. Segundo os relatos, mais de 500 pessoas chegaram a visitar o local por dia.

Uma das “atrações” desse tour era um bolo que a Marie tinha feito para a ceia, e que ainda estava posto na mesa quando os assassinatos ocorreram. Segundo relatos, os visitantes estavam pegando pedaços desse bolo e levando como lembrança. Posteriormente, o bolo foi colocado dentro de uma redoma de vidro e ficou exposto por anos.

Existe uma canção baseada no caso, ela se chama The Murder of the Lawson Family, e foi originalmente gravada pela banda Carolina Buddies em 1930 e regravada pelos Stanley Brothers em março de 1956. Também foi gravada para o álbum de natal Christmas Queens 3 pela drag queen Sharon Needles em 2017. Arthur Lawson, o único sobrevivente, morreu em um acidente de carro em 1945, aos 31 anos, deixando esposa e quatro filhos.


FONTES: Murderpedia, Southern Calls, Crime + Investigation UK, Horror Obsessive, PlanetSlade, Mundo Educação.

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