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  • Foto do escritorRodolfo Brenner

#60 - O Misterioso Caso de Peter Bergmann | MISTÉRIOS

O corpo de um homem sem identificação é encontrado em uma praia. O que parecia ser um simples homicídio acaba se revelando como um dos maiores mistérios da Irlanda.


Essa é a versão escrita do episódio #60 - O Misterioso Caso de Peter Bergmann:



O caso aconteceu na cidade portuária de Sligo, na Irlanda, que fica localizada na província de Connacht. Sligo significa "abundante em conchas" na língua celta e, segundo o censo de 2016, tinha quase 20 mil habitantes. A cidade é um dos centros culturais do norte irlandês, com diversas apresentações teatrais, recitais e música típica.

No dia 12 de junho de 2009, na cidade de Derry, um homem magro e grisalho embarcava com duas bagagens em um ônibus com destino a Sligo, tendo chegado lá perto das 18h30. De lá ele pegou um táxi até o centro da cidade, um caminho que poderia ser feito a pé em questão de 10 minutos. Esse homem tentou se hospedar em um primeiro hotel, mas ele estava lotado devido a ser uma sexta e estar no auge do verão do hemisfério norte. Posteriormente ele conseguiu se hospedar no Sligo City Hotel e pagou três noites adiantado. Ao se registrar, o homem, que tinha um sotaque alemão, disse que seu nome era Peter Bergmann e que o seu endereço era Ainstettersn 15, 4472, Viena, Áustria.


Sligo, Irlanda


No dia 13, Peter foi até o correio local perto das 11h e comprou oito selos para cartas e mais alguns adesivos para correio aéreo. Ele deu uma volta na cidade e voltou para o hotel. Na maioria do tempo ele se mantinha reservado, mas ocasionalmente ele foi visto comendo no restaurante do hotel ou fumando do lado de fora. Quem teve contato com ele disse que era um senhor simpático, mas que achavam estranho ele sempre estar usando roupas sociais em pleno verão.

No domingo, no início da tarde, Peter saiu do hotel em direção ao único ponto de táxi da cidade e pediu para o motorista levar ele até uma praia tranquila para que ele pudesse nadar. Ele levou o homem até Rosses Point, lá ele desceu, observou a praia por algum tempo e pegou o táxi de volta até o hotel. Na segunda, dia 15, ele fez o check-out pouco depois das 13h. Testemunhas viram ele na rodoviária, tirando pedaços do papel do bolso, lendo, rasgando e jogando no lixo. Lá ele pegou um ônibus para Rosses Point que partiu às 14h20.

Na manhã seguinte, pouco depois das 6h, Arthur Kinsella e seu filho Brian estavam correndo na praia quando viram algo estranho a beira-mar. No início eles achavam que fosse um manequim, mas ao se aproximarem viram que era o corpo de um homem. Algumas fontes dizem que esse homem estava nu, outras que ele vestia um calção de banho e uma camiseta azul-marinho, porém, ambas as versões dizem que o restante de suas roupas estava espalhado no local. O corpo era de Peter Bergmann.


Imagens de Peter capturadas por câmeras de segurança


O corpo de Peter foi levado para a autópsia e a causa da morte foi dada como afogamento. Ele era um homem era magro, 1,79m de altura, cabelo grisalho, olhos azuis e idade aproximada de 60 anos. A autópsia revelou que ele já havia sofrido um ataque cardíaco anterior e que ele estava sem um rim. O mais grave, porém, era a constatação de que o homem estava com câncer de próstata muito avançado e já apresentava tumores nos ossos. Foi realizado um exame toxicológico, porém, não foi encontrado nenhuma medicação, o que era estranho para alguém que estaria sofrendo dores agudas por causa do câncer.

Até aquele momento ninguém sabia quem era aquele senhor, pois não foi encontrado nenhum documento de identificação, dinheiro ou outros objetos nas suas roupas. Ao examinarem com cuidado as roupas, notaram que todas as etiquetas estavam cortadas. A polícia procurou no banco de desaparecidos, mas não havia nenhuma pessoa com as suas características. Foi realizada uma tentativa de identificação através da arcada dentária, já que os dentes do homem estavam bem preservados, incluindo um dente de ouro e uma obturação de prata, mas também não teve resultado.

Através das câmeras de segurança e de relatos de testemunhas, a polícia conseguiu rastrear o homem até o Sligo City Hotel, onde ele foi identificado como Peter Bergmann. Entretanto, como o hotel não tinha pedido nenhum documento no momento do check-in, não foi possível confirmar se o nome era verdadeiro. A polícia da Irlanda entrou em contato com a polícia da Áustria, que não conseguiu localizar nenhum Peter Bergmann nos bancos de dados. Ao procurarem no endereço dado por ele, mais uma surpresa: o local era apenas um terreno baldio.


Roupas e objetos encontrados com Peter


Imagens gravadas das câmeras de segurança do hotel foram liberadas para o público na tentativa de encontrar alguém que conseguisse identificar corretamente o homem, mas as únicas pessoas que entraram em contato foram as que encontraram com ele durante os 3 dias em que ele ficou em Sligo. No hotel, Peter foi visto saindo todos os dias com uma sacola plástica roxa cheia, porém, quando voltava, ela estava vazia. Foi teorizado que ele estaria jogando pertences nas lixeiras pela cidade, mas sempre evitando aparecer nas câmeras de segurança. O DNA dele passou a ser testado em diversos bancos de dados, mas nunca foi encontrado nenhuma combinação. O corpo está enterrado no Sligo Town Cemetery.

Quanto ao país de origem, é possível que ele tenha vindo de algum lugar que o alemão seja uma de suas línguas, já que algumas testemunhas disseram que ele falava inglês com sotaque alemão. O problema é que, além da Alemanha, o alemão é falado na Áustria, na Suíça, em Luxemburgo, na Bélgica, são muitos lugares para procurar.

Em 2013 foi lançado o documentário “Os Últimos Dias de Peter Bergmann”, dirigido pelo cineasta irlandês Ciaran Cassidy, que você pode assistir de graça, no YouTube. Em 2019 foi lançada uma peça de teatro sobre o caso chamada “A Dream of Dying”, escrito pela romancista Treasa Nealon. Segundo a própria autora, ela teve a ideia após ficar obcecada pelo caso e decidiu criar uma forma diferente de divulga-lo.

O caso continua sob investigação, já tendo passado pelas mãos de alguns investigadores, e atualmente está com o inspetor Ray Mulderrig. Em 2019 ele deu uma entrevista sobre o caso para o portal Vice: “Parece ter havido um propósito para isso, tudo o que ele fazia parecia ter um propósito, desde cortar as etiquetas das roupas e tudo mais. A pergunta que você deve fazer é: por que Sligo? Algo deve tê-lo trazido aqui, mesmo que nunca tenhamos sido capazes de dizer o que foi”.


The Last Days of Peter Bergmann


Existem duas teorias principais sobre o caso: a primeira, proposta pelos próprios investigadores que cuidaram do caso, é a de que o Peter tenha ido até a cidade para tirar sua própria vida. Peter era um senhor idoso que estava debilitado por conta de um câncer em estado avançado. É possível que ele tenha planejado cuidadosamente o seu suicídio, indo até a cidade por algum motivo pessoal e escolhendo outra identidade para evitar que, após a morte, entrassem em contato com familiares. Outras coisas que corroboram com essa teoria: ele teria cortado as etiquetas das roupas para evitar a identificação, ele teria jogado seus objetos pessoais fora nos dias em que ficou na cidade e as únicas evidencias da morte apontam para afogamento intencional.

A segunda teoria é de que ele seria um espião e foi morto por alguém que encobriu tudo para parecer um suicídio. Apesar de não haver evidências novas, o caso é comparado com o de outras pessoas não identificadas que também podem ser espiãs, como o caso da Mulher de Isdalen e o Homem de Somerton.


Local onde Peter está enterrado no Sligo Town Cemetery


• FONTES: Vice, Mirror Mind, Independent.ie, IrishCentral, The irish Times.

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